Missão Tintim
Spielberg se une a Peter Jackson para tirar da gaveta um de seus projetos mais antigos: levar o personagem de Hergé ao cinema
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Pela segunda vez em sua carreira, Steven Spielberg une forças com o responsável pela principal trilogia de fantasia de uma geração e dirige um filme sobre um aventureiro em busca de tesouros arqueológicos. Seu parceiro de agora é Peter Jackson, da trilogia ‘O Senhor dos Anéis’, e o resultado, As Aventuras de Tintim. O filme chegou aos cinemas americanos 30 anos após o lançamento de ‘Os Caçadores da Arca Perdida’ (1981) - o primeiro dos quatro filmes do personagem Indiana Jones, criação de George Lucas, da trilogia ‘Star Wars’.
Foi justamente uma crítica sobre a estreia de Indiana Jones, que comparava a aventura do arqueólogo às histórias do jovem jornalista, que apresentou Spielberg ao personagem criado em 1929 pelo quadrinista belga Hergé. Mesmo sem falar francês, Spielberg comprou os 23 volumes disponíveis na época e, em 1983, adquiriu os direitos para o cinema.
Nos primeiros anos deste século, quando adaptou ‘O Senhor dos Anéis’, Jackson, assim como Lucas, marcou época na ficção e transformou o modo de produzir cinema de entretenimento.
O sucesso do projeto o aproximou de Spielberg - e de Tintim, de quem é fã desde criança. Produtor neste primeiro longa, Jackson deve dirigir o segundo (ainda sem previsão) e, no terceiro, dividirá a direção com Spielberg.
A parceria dos dois começou a ganhar forma em 2009, com um roteiro sobre a busca pelo Licorne (um navio naufragado) e o tesouro de um pirata. Até então, Spielberg jamais havia dirigido uma animação e nunca tinha usado o recurso do 3D. Tintim é a chegada do diretor ao mundo digital - que explorou a técnica como ninguém havia feito. Você quase esquece o 3D e até que está assistindo a uma animação.
Mas técnica não é tudo em Tintim. A habilidade de Spielberg para contar histórias ainda se sobrepõe. Com ritmo frenético e cenas de ação memoráveis, a produção funciona como um atestado das ilimitadas possibilidades do cinema no século 21.
A primeira parceria de Spielberg com um nerd barbudo foi em 1981 e resultou em um clássico do cinema. Será a segunda parceria capaz de repetir o feito?
A captura de movimento utilizada em 'Tintim' consiste em filmar os atores com pontos eletrônicos colados ao corpo e transformar o vídeo em animação.
Linhagem Nobre
Nos anos 70, Spielberg e George Lucas mudaram a forma como filmes são produzidos. ‘Tubarão’ (1974) e ‘Star Wars’ (1977) levaram multidões aos cinemas e a dupla se tornou símbolo de uma nova Hollywood, com jovens diretores detendo a mesma força dos produtores. Com ‘Os Caçadores da Arca Perdida’, os mais pródigos realizadores de uma geração se uniram e filmaram as aventuras de um arqueólogo de métodos pouco ortodoxos no primeiro filme de uma série que nasceu clássica. Peter Jackson produziu a trilogia ‘O Senhor dos Anéis’ nos mesmos moldes artesanais das primeiras produções de Spielberg e Lucas e criou um clássico moderno. A união de Spielberg e Jackson leva à criação de altas expectativas em relação ao futuro de Tintim no cinema.
George Lucas
Star Wars (1977): foi a maior bilheteria da história durante 30 anos - até o lançamento de Titanic, em 1997
O Império Contra Ataca (1980): apresentou uma das maiores revelações do cinema, o parentesco entre Luke e Darth Vader
O Retorno de Jedi (1983): Darth Vader salva o filho e alcança a redenção ao destruir seu mestre, o Imperador
Os Caçadores da Arca Perdida (1981): fã de James Bond, Spielberg supera a frustração de não dirigir um 007
O Templo da Perdição (1984): como em Star Wars, o segundo é mais sombrio que o primeiro
A Última Cruzada (1989): capítulo final - até o retorno de Indiana
Spielberg voltou a trabalhar com George Lucas em ‘Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal’, e foi apresentado a Jackson na cerimônia do Oscar que consagrou ‘O Senhor dos Anéis’. A técnica utilizada para criar Gollum chamou atenção do diretor, que pediu a Jackson um teste envolvendo um cão digital...
Peter Jackson
A Sociedade do Anel (2001): Peter Jackson criou a Weta Digital, em- presa de efeitos especiais, para filmar sua trilogia
As Duas Torres (2002): O personagem Gollum surpreende o mundo com a técnica de captura de movimento
O Retorno do Rei (2003): deu a Peter Jackson onze prêmios no Oscar, incluindo os de filme, direção e roteiro
O teste para Milu resultou na descoberta do gosto compartilhado pelas histórias de Hergé. Ainda na dúvida em relação a como adaptar as aventuras de Tintim, Spielberg vislumbrou as técnica de Jackson como as melhores opções para filmagem. A parceria resultou no Globo de Ouro de Animação e é aposta para o Oscar, além de já ter garantidas duas continuações. O próximo longa deve começar logo após Jackson lançar a primeira parte de ‘O Hobbit’, prevista para dezembro.
A coleção completa de Tintim
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