Morte de José Saramago ganha espaço na mídia internacional
Jornais lembram o escritor portugês por prêmio Nobel, 'Ensaio sobre a cegueira', comunismo e ateísmo
SÃO PAULO - A morte do escritor português José Saramago ganhou as páginas dos principais jornais internacionais nesta sexta-feira, que destacaram o fato de o autor de livros como "Ensaio sobre a cegueira" e "Caim", ter sido o único lusófono a ser laureado com o prêmio Nobel de Literatura, em 1998.
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O americano New York Times classificou o "infalível comunismo" do autor tão famoso quanto seu talento literário. "Ele descreveu a globalização como o novo totalitarismo e lamentou as falhas da democracia contemporânea ao aumentar o poder das corporações multinacionais", publicou o jornal em seu site.
O ateísmo de Saramago também foi citado no texto do Times, que classificou o português um autor paradoxal. "Militante ateu que sustentou a vida toda que a humanidade seria mais pacífica se não existissem as religiões, escrevia romances sobre preocupado com questões sobre Deus", informou.
Já o jornal britânico The Guardian deu destaque à luta de Saramago contra "a ortodoxia do período pós-ditadura em Portugal" com seus livros e fez referência ao romance "Ensaio sobre a Cegueira", de 1995. Segundo o jornal, o livro foi o responsável pelo ápice do sucesso do escritor no resto do mundo, já que foi adaptado para o cinema em 2008 pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles.
O diário espanhol El País, um dos primeiros a noticiar a morte do escritor, deu ênfase à sua origem pobre. "Antes de ser romancista, foi poeta. E antes de ser poeta, foi pobre. Unindo o jornalismo a outros três fatores - pobreza, poesia e prosa - entendeu a fusão entre a preocupação social e a exigência estética que marcou sua obra até hoje".
O Público, jornal português, lamentou a perda informando na manchete "Desaparece um enorme escritor universal", citando o ensaísta português Carlos Reis. Na entrevista, Reis acrescenta que apesar da morte, "fica um universo: esse que Saramago criou, feito de uma visão subversiva da história e dos seus protagonistas, dos mitos estabelecidos e das imagens estereotipadas".
Além destes, a morte do escritor teve espaço em jornais europeus de peso, como o francês Le Monde e os italianos La Reppublica e Corriere della Sera, todos destacando o prêmio Nobel de 1998 e o comunismo e o ateísmo do autor.
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