Rachel Espírito Santo/Divulgação
Rachel Espírito Santo/Divulgação

No palco, 15 anos sem Caio Fernando Abreu

Morto em 1996, escritor continua inspirando novas peças

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2011 | 06h23

Caio Fernando Abreu era um homem de teatro. Dirão que é porque deixou um número razoável de peças escritas, quase uma dezena. Outros poderão argumentar que é porque ele mesmo arriscou-se como ator bissexto. Ou até invocar sua breve incursão pela crítica teatral, nos idos dos anos 1970. Mas não estão aí, certamente, as razões para sua longevidade no palco. Ano após ano, Caio continua a suscitar montagens teatrais. E, quase invariavelmente, o que se vê em cena não são os enredos de sua dramaturgia - que ele mesmo reconhecia como uma parcela menor de sua obra - mas seus contos.

Nessas narrativas curtas, textos em que o autor alçou a si mesmo à categoria de personagem, diretores e atores continuam a encontrar matéria-prima para suas encenações. Não se esgotam aí, porém, as fontes que esse autor gaúcho oferta ao teatro. Prova disso é Lixo e Purpurina. O monólogo, que entra em cartaz hoje no Sesc Pompeia, toma emprestada a estrutura de um diário que Caio escreveu em Londres, e marca, com sua estreia, o aniversário de 15 anos de morte do autor de Morangos Mofados.

A data da morte de Caio F. - 25 de fevereiro de 1996 - também será lembrada no Miniteatro, com uma pequena mostra. O evento, que abre amanhã e deve repetir-se no próximo sábado, irá alinhavar solos criados a partir de seis contos do escritor. Dirigido por Kleber Montanheiro, o trabalho mescla histórias conhecidas do público - como os contos Sargento Garcia e Os Dragões Não Conhecem o Paraíso - a outras menos divulgadas. Caso de A Lenda das Jaciras, ficção que Caio teria escrito para o ator Roberto Camargo e que será por ele interpretada. A mostra também ganha força com a presença de Paula Dip. Autora da biografia Para Sempre Teu, Caio F., a jornalista irá exibir um trecho do documentário inédito que prepara sobre ele (leia abaixo) e ler uma carta inédita de Caio para Hilda Hilst.

Devoção. Além do diário escrito em Londres, em 1978, a adaptação de Lixo e Purpurina lança mão de passagens do lírico conto Anotações Sobre um Amor Urbano e deixa transparecer a devoção que o intérprete, Davi Kinski, tem pelo autor. Guiado pelo diretor estreante, Chico Ribas, Kinski encarna muitas das facetas que não podemos dissociar da imagem que o próprio escritor cunhou de si mesmo: um ser à deriva, um eterno estrangeiro, sempre arrebatado por paixões desmedidas.

LIXO E PURPURINA - Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93, telefone 3871-7700. 6ª e sáb., 21h; dom., 19h. De R$ 3 a R$ 12. Até 3/4

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