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Novo filme sobre Puccini mergulha na vida amorosa do compositor

31 de dezembro de 1969 | 21h 00
SILVIA ALOISI - REUTERS

Um novo filme sobre Giacomo Puccini traz

à tona cartas e documentos que sugerem que o compositor possa

ter uma segunda descendente viva, em uma história confusa de

infidelidade e vingança que bem poderia ser tema de uma de suas

óperas.

"Puccini e la Fanciulla" (Puccini e a garota), que faz sua

estréia no Festival de Cinema de Veneza nesta sexta-feira, já

foi repudiado por Simonetta Puccini, até agora a única herdeira

viva conhecida do compositor.

Trinta anos atrás Simonetta venceu uma batalha legal para

provar que era a filha ilegítima de Antonio, filho do

compositor, de quem herdou a maior parte da herança.

Agora outra mulher, Nadia Manfredi, suspeita que também

possa ser neta de Puccini e pediu um exame de DNA para

confirmar a suspeita.

O filme leva à tela a história de Doria Manfredi, a jovem

empregada da casa de Puccini que cometeu suicídio depois de ser

falsamente acusada pela mulher do compositor, Elvira, de ter um

caso com ele.

Depois de uma autópsia ter confirmado que Doria morreu

virgem, Elvira foi condenada por difamação e Puccini, notório

por sua vida amorosa tumultuada, teve que pagar indenização à

família de Doria para que sua mulher não fosse para a prisão.

Esse capítulo da vida de Puccini é conhecido, mas agora o

diretor Paolo Benvenuti diz que descobriu documentos que

mostram que, na realidade, Puccini teve um longo caso

extraconjugal com a prima de Doria, Giulia Manfredi.

AMANTE ERRADA

Giulia dirigia uma estalagem em frente ao chalé do

compositor à margem do lago em Torre del Lago. Acredita-se que

a personagem Minnie, da ópera de Puccini "La fanciulla del

West", de 1910, tenha sido baseada nela.

O fruto de sua relação com Puccini, segundo Benvenuti, foi

outro filho, também chamado Antonio, que morreu pobre em 1988

sem saber quem tinha sido seu pai.

Benvenuti descobriu a filha de Antonio, Nadia Manfredi,

quando fazia pesquisas para o filme e disse que ela tem grande

semelhança física com o compositor de "La Bohème", "Turandot" e

"Madame Butterfly".

Na casa de Nadia em Pisa ele encontrou uma mala empoeirada

com fotos e cartas escritas por Puccini a Giulia Manfredi entre

1908 e 1922, além de clipes de filmes mostrando o compositor ao

piano, caçando marrecos e brincando com seu cachorro.

Benvenuti diz que as cartas mostram que Giulia, e não

Doria, foi amante de Puccini e que o compositor ajudou Giulia

com dinheiro, presume-se que para sustentar o filho deles, até

sua morte, em 1924.



Tópicos: FILME, VENEZA, PUCCINI