Palco Sunset faz sua maior balada
No encontro entre Martinho, Cidade Negra e Emicida, quem se sobressaiu foi o rapper da zona norte paulistana
Para quem esperava por um climão de festa, o Palco Sunset finalmente deu o tom de balada do festival. Os trabalhos no stage secundário foram iniciados no começo da tarde de ontem com show dos portugueses do Buraka Som Sistema dividindo a cena com o Mix Hell, projeto eletrônico de Igor Cavalera com sua mulher. Se você pensar em dar uma festa, convoque os caras, eles modernizam o kuduro, gênero musical africano.

Em um dos shows mais empolgantes do Sunset, eles chegaram até a jogar água no público, que fervia não apenas pelo sol, mas também pela efervescência sonora. Embora ainda com pouca plateia, eles transformaram o espaço numa pequena, mas agitada pista de dança.
Depois do Buraka, João Donato dividiu o palco com Céu. Contrariando as expectativas, com boa parte do público apostando em uma apresentação sonolenta e incoerente com o clima ‘pra cima’ de um megafestival, eles fizeram um show arrebatador. No repertório, temas de Donato, como Emoriô, A Rã, Mosquito e a estupenda Café com Pão.
Na segunda metade do concerto, Céu cantou acompanhada de sua banda, interpretando composições próprias como Comadi, Cangote, Nascente (parceria com Siba), de seu último disco, Vagarosa, e músicas de seu álbum anterior, como Malemolência. No set list ainda sobrou espaço para Rainha, Cala a Boca e É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo, de Erasmo Carlos. Na grade que separava o backstage do público, a simpatia de João Donato reapareceu. Ali, ele, nascido no Acre, autografou uma bandeira de um grupo que veio de seu Estado natal para prestigiá-lo.
Logo após Céu e Donato - com mais eficiência em comparação com o fim de semana anterior na desmontagem do palco e com qualidade de equalização de som superior - foi a vez de o Sunset receber pela segunda vez neste festival a presença do samba. Depois de Diogo Nogueira, que havia participado do Baile do Simonal, com Wilson Simoninha e Max de Castro, quem deu as caras foi Martinho da Vila, em show com Emicida e Cidade Negra.
No encontro entre samba, rap e pop, quem se sobressaiu foi o rapper da zona norte paulistana com suas rimas de improviso que pulverizaram a plateia, assim como nos tempos em que foi revelado na Rinha dos MC’s, criada por Criolo e o DJ Dan Dan. Em cerca de uma hora de apresentação, houve um desfile de hits de Martinho, como Madalena do Jucu e O Pequeno Burguês, além de clássicos do Cidade Negra como Amor Igual ao Teu. O Sunset encerrou a noite registrando de novo grande público, cerca de 60 mil.
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