Pavarotti esteve sete vezes no Brasil
A última vez foi em julho de 2000, quando o tenor realizou o concerto dos Três Tenores no estádio do Morumbi
O tenor italiano Luciano Pavarotti esteve no Brasil várias vezes. A primeira foi em 1979, no Teatro Municipal do Rio, quando foi ovacionado pelo público logo após interpretar Una furtiva lagrima, de Donizetti, Partir c'est mourrir Un peu, de Tosti, e E lucevan le estelle, de Puccini. Dias depois da apresentação no Rio, ele cantou para um público composto em grande parte por jovens no Anhembi, em São Paulo. Ao final, gritos de "Bravo" ecoavam no complexo.
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No mesmo ano, em dezembro, o tenor cantou para um Pacaembu lotado de fãs. Devido ao tamanho do estádio e à má qualidade do som, grande parte do público mal pode ouvir a voz de Pavarotti. Além dos problemas técnicos, a duração do espetáculo - menor do que o previsto - decepcionou os fãs.
Doze anos depois, em dezembro de 1991, o tenor italiano voltou à capital paulista para mais uma apresentação de sucesso. Mas o que realmente marcou sua segunda passagem por São Paulo foi o tratamento dispensado pelo hotel onde ficou hospedado, o Cà D'Oro. O tenor recebeu tratamento digno de reis, como guardanapos "suaves", toalhas e toucas de banho extras, ingredientes finos para a cozinha (o tenor adorava comer e cozinhar a própria comida), além de um piano afinado e um afinador de plantão. Sua excentricidade marcou também o menu do restaurante do hotel. Atendido e servido, o tenor não deixou que o garçom colocasse queijo ralado. Apanhando um saquinho pendurado à cintura, disse: "Scusa, il formaggio è mio." E com a mão aspergiu o queijo por cima do penne com peperoncino. O prato, então, foi batizado de penne à Pavarotti.
Em 1995, Pavarotti retorna ao Rio para mais uma vez emocionar o público brasileiro. Desta vez, o recital lotou os 8.200 assentos do Metropolitan, acompanhado da Orquestra Sinfônica Brasileira. Presente no show, a modelo Adriane Galisteu foi apresentada ao tenor, que, encantado não só com a ex de Ayrton Senna, mas também com as belas que assistiam ao recital, afirmou: "As brasileiras são lindas. Nunca vi semelhantes".
Já em 1998, o grande tenor italiano encontrou-se com o Rei da Jovem Guarda, Roberto Carlos. Em uma noite fria de abril, o Estádio Beira Rio, em Porto Alegre, recebeu 60 mil fãs que ouviram o Rei abrir o show com sucessos como Emoções, Nossa Senhora e Jesus Cristo. Na segunda parte da apresentação, o Coral da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e os Pequenos Cantores do La Salle cantaram Amigo, sucesso de Roberto e Erasmo Carlos. Em seguida, Pavarotti soltou sua voz em canções como Una Furtiva Lacrima e La Donna E Mobile. Para fechar a apresentação, um dueto com Roberto Carlos e Pavarotti cantando Ave Maria, de Franz Schubert, e O Sole Mio.
As duas últimas vezes em que esteve no país foram em 2000, quando cantou ao lado das cantoras brasileiras Gal Costa e Maria Bethânia e depois, no histórico espetáculo dos Três Tenores. Em 8 de abril Pavarotti cantou em Salvador, com Gal e Bethânia, em Salvador. Acompanhados pela orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) fez um concerto de 50 minutos e emocionou cerca de 6 mil pessoas que lotaram o espaço montado às margens da Baía de Todos os Santos. Ao entrar em cena, o tenor recebeu quase dois minutos de aplausos da platéia. Com os maestros Leone Magiera e Salomão Rabinovitch revezando-se na regência da Osba, Pavarotti cantou nove temas de óperas, entre as quais La Donna é Mobile, Addio Fiorito Asil e La Girometta.
Três meses depois, em 22 julho do mesmo ano, Pavarotti voltou ao País para o concerto dos Três Tenores no estádio do Morumbi. Nem mesmo o frio e a chuva que faziam na cidade no dia 22 impediram que um público de 42 mil pessoas assistisse à apresentação de José Carreras, Plácido Domingo e Luciano Pavarotti, no final da tarde. O concerto começou com a Sinfonia de O Guarani e o público respondeu com aplausos durante a interpretação. E assim foi sempre que uma peça brasileira, como Manhã de Carnaval, de Luis Bonfá, ou uma obra conhecida pelo público em geral como as árias La Donna è Mobile, Nessun Dorma e E Lucevan le Stelle, ou canções como Granada, O Sole Mio e Torna a Surriento. O destaque, no entanto, foi para Aquarela do Brasil, que encerrou o concerto. De pé, o público acompanhou com aplausos entusiasmados os passos de samba arriscados por Plácido Domingo e pelo maestro Marco Armiliato.
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