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'Pecados do Meu Pai' traz história de Pablo Escobar

Em documentário, filho pede perdão às vítimas de seu pai, o narcotraficante mais famoso da História

14 de maio de 2010 | 5h 00

Seu verdadeiro nome é Juan Pablo Escobar, que ele mudou por segurança e para se proteger do preconceito. Aos 33 anos, mora em um imóvel alugado com a mulher, a mãe e a irmã em Buenos Aires. Todos os bens de seu pai foram confiscados. Era com Juan Pablo que Escobar falava ao telefone quando a chamada foi interceptada pela polícia, o que resultou na sua perseguição e morte horas mais tarde.

Escobar com Juan Pablo no colo - Divulgação
Divulgação
Escobar com Juan Pablo no colo

Ariel Palacios, correspondente Buenos Aires

BUENOS AIRES - O colombiano Pablo Escobar Gaviria (1949-1993) foi o narcotraficante mais famoso da História. Nos anos 80 - quando era o sétimo homem mais rico do mundo, segundo a revista Forbes - comandava uma organização mafiosa que foi diretamente responsável pelo assassinato de 4 mil pessoas. Ele inaugurou a modalidade dos carros-bomba em seu país, que ficou econômica e politicamente desestabilizado.

Escobar até construiu para si uma prisão de luxo - La Catedral - como condição para entregar-se ao governo. Meses depois fugiu e foi morto. Seu funeral reuniu 20 mil pessoas que o idolatravam. No meio dessa vida intensa, Escobar teve tempo para criar um filho, para o qual lia o conto dos Três Porquinhos e cantava a ária La Donna È Mobile, de Giuseppe Verdi.

Depois de sua morte, a família de Escobar partiu da Colômbia e instalou-se em Buenos Aires, após tentar viver em vários outros países. Ali, seu filho, Juan Pablo - adolescente na época da morte do pai -, mudou o nome para Sebastián Marroquín e reconstruiu sua vida. Mas sentia que estava pendente um pedido de desculpas, mais especificamente, aos filhos de políticos mortos por ordens de seu pai, entre eles, os de Rodrigo Bonilla (em 1984, quando era ministro da Justiça) e Luis Carlos Galán (em 1989, quando era candidato à presidência da Colômbia).

Essa oportunidade - e de contar como era o ‘Escobar pai’ - surgiu quando o diretor de cinema Nicolás Entel lhe propôs a realização do documentário Pecados do Meu Pai, que estreia hoje no Brasil. Em entrevista, Marroquín confessa que seu pai sempre tinha desculpas para a violência e fala sobre propostas anteriores de filmes, que rejeitou por enfatizarem só o lado criminoso de Escobar.

Você já havia recebido propostas de outros filmes antes?

Descartei propostas anteriores de filmes, pois todas pretendiam exaltar o estilo gângster. Eram propostas para filmes mais sensacionalistas, que queriam explorar a imagem de meu pai. Não me parecia correto. Há filmes que mostram a vida dos narcos (narcotraficantes) em festas rodeados de mulheres. Mas isso é uma breve fase da vida de um narco. A maior parte do tempo é de violência, perseguições e morte. Por isso, gostei da proposta de Nicolás (Entel), pois pretendia contar a história do ponto de vista dos filhos das pessoas envolvidas.

Você teve muita desconfiança, antes de iniciar o projeto?

Entel levou seis meses para me convencer. Depois de idas e voltas, aceitei. Voltei para a Colômbia, atrás de arquivos, e foi uma surpresa ver que ainda havia muita coisa, pois ao partir havíamos pedido que queimassem tudo.

Quando pediu perdão aos filhos de Lara Bonilla e Galán, eles disseram que não havia nada a perdoar, pois você não era o autor dos crimes...

Este é um exemplo de que é possível perdoar, de que as pessoas podem diferenciar as gerações envolvidas nos fatos e que elas podem encontrar a paz no caminho. Como filho (de Escobar), posso dar depoimento daquilo que aprendi e convidar os jovens para que não entrem na violência. Se nós, estas três famílias, pudemos superar isso, o país também pode.

Sua vida como filho de Pablo Escobar - além da trajetória de seu pai - poderia transformar-se em um livro?

Esta é uma história muito longa. Se bem que ocorreu em um período relativamente curto não dá para resumir 30 anos em apenas em 94 minutos de filme. Não tenho certeza sobre um livro... poderia ser. Gostaria de fazer outros filmes, para contar histórias que sirvam para reflexão, não necessariamente vinculadas com a Colômbia, mas para explicar sobre os caminhos da violência.

Disse que passou sua vida explicando o que seu pai fez... quando acha que poderá ter uma vida própria?

Estou em contínuo processo de "reinvenção". Carrego nas costas esse passado. Na Argentina tive a possibilidade de viver de forma anônima durante 10 anos. Pude evitar o preconceito. Agora não sinto a pressão de ter que ocultar nada. Tenho 32 anos... há 16 anos que sinto que vivo "horas extras"...

Poderá usar de novo o nome Juan Pablo Escobar?

Eu tenho a possibilidade legal de voltar a utilizar esse nome. Mas o nome novo me permitiu ficar livre dos preconceitos e avançar na vida.

Discutia com o seu pai sobre os atos de violência que ele cometia?

Sim. Mas ele era um homem que sempre tinha desculpas e argumentos para a violência. Estava rodeado de aduladores que o estimulavam a isso. No dia em que entrou na prisão La Catedral, a dedicou a mim. Ele disse que eu era seu "filho pacifista de 14 anos"...






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