Pequenos grandes mestres
Selecionamos dez casas japonesas de raiz. Nelas, você vai encontrar muito mais que sushi e sashimi. Vai de hashi ou de talher?
Calendários pendurados no salão. Das dez casas japonesas indicadas nesta reportagem, sete ostentam as folhinhas nas paredes - uma mania nipônica. Mas, não, este não foi o critério escolhido pelo Divirta-se para selecionar os bares e restaurantes de cozinha japonesa que você vai ver nesta matéria. Algumas destas casas não são exatamente desconhecidas. São simples, pouco badaladas. Mas o mais importante é que servem boa comida, de raiz, sem invencionices (nada de cream cheese ou pimenta-biquinho, portanto). Para eleger as melhores, contamos com a consultoria de cinco chefs famosos da cidade: Jun Sakamoto, Shin Koike, Tsuyoshi Murakami, Massanobu Haraguchi e Edson Yamashita. E provamos de tudo.

Shinsei
Na ruazinha de paralelepípedos, você vai achar que errou o caminho: só há residências. Não desista - entre na de nº 1. O portão (sem placa) estará aberto. Pode entrar. Suba as escadas até o arejado salão.
Escolha entre os dois únicos pratos: teishoku ou teishoku de novo, mas com sashimi (R$ 28; R$ 38, no sábado). Sirva-se de missoshiro em uma panela. Elogie a fofa dona Noriko Kurimoto, mãe do chef Kenji, que possivelmente vai visitar sua mesa. R. Walter Fontana, 1, Jd. Aeroporto, 5031-7066. 11h30/15h (fecha dom.).

Pub Kei
Ao subir as escadas do Top Center, o Pub Kei pode passar despercebido. É discreto e em nada lembra o moderninho salão do Miyabi, na loja 80. De dia, o esquema é quase de fast-food - o katsu curry, crocante empanado de porco com molho de curry (R$ 32) é bem-procurado. Av. Paulista, 854, loja 69, Bela Vista, 3145-1741. 11h30/14h30 e 18h30/21h. Cc.: D, M e V.

Shigue
Era uma vez um sushiman nissei no Sea House. E uma garçonete ocidental no Suntory. Foi em um encontro de restaurantes japoneses em Angra que se conheceram. E logo se casaram. Em 2001, Armando e Enilva fundaram o Shigue, de comida tradicional. Os nomes dos filhos, Lucca e Gabriel, batizam itens do menu. "Japoneses pensam que são nomes de peixe", ri Armando.
R. Sampaio Viana, 294, Paraíso, 3885-9606. 11h30/14h30 e 18h30/22h (fecha dom.). Cc.: todos.

Três achados
1. Miyako Matsui, a dona do Kidoairaku, dá boas-vindas de uma cama, vendo TV e comendo frutas. Ela abriu o restaurante em 1988 "para fazer amizades".
2. Um hambúrguer à moda japonesa, com carne suína e bovina, integra o menu. É o favorito de Shin Koike, do Aizomê.
3. Japoneses de passagem pela cidade dão dicas ao chef Kaku Matsui e adoram caipirinhas com pinga 51. R. São Joaquim, 394, Liberdade, 3207-8569. 11h30/14h e 18h30/22h30 (sáb., até 21h30)

Izakaya Issa
"Fui a um karaokê aqui perto e vi que este imóvel estava à venda. Comprei sem pensar", conta Margarida
Haraguchi, dona do Izakaya Issa. Fazer do lugar um boteco também não foi planejado - aconteceu. Ali,
na companhia das amigas, ela serve comidinhas para acompanhar o saquê. Tem ostra no vapor, bolinho
de polvo e okonomiyaki. Na dúvida, consulte-a. Ela terá prazer em ajudar.
R. Barão de Iguape, 89, Liberdade, 3208-8819. 18h30/23h30 (dom., 18h/23h). Cc.: D, M e V.
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Bueno A porta de correr do Bueno está sempre fechada. Mas não se acanhe: abra-a e entre no mundo do ex-lutador de sumô Fernando Kuroda. É ali que o chef Murakami, do Kinoshita, prova a língua de boi grelhada. Fã do bar, o sushiman Jun Sakamoto não vive sem a tigela coreana (foto) e a conserva de acelga apimentada, exposta no balcão de acepipes. Regra: não saia dali sem um gole de shochu, a ‘purinha’ oriental. |
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| Tempura Ten 9622-3582 é o celular ao qual você deve recorrer, se quiser comer tempura. Um senhor tempura. Marque
Ajissai Duas porções de empanados vêm no pedido do Ajissai, especializado em pratos à milanesa. O tonkatsu
O que é, o que é? Tem macarrão, caldo e solta fumaça? No Brasil, você diria Miojo. Não está errado: é um tipo de lámen. Mas, saiba: um bom caldo fica mais de seis horas no fogo. E faça barulho para comer - ajuda a esfriar. 4,5 minutos Foi o tempo que o Aska levou para servir a tigela. Na espera (em uma 6ª), havia umas 20 pessoas. Como foi só, o repórter conseguiu sentar ao balcão de fórmica. Mas lembre-se: a regra da casa é comer e sair logo, sem enrolação. R. Galvão Bueno, 466, Liberdade, 3277-9682. 18h/21h40 (fecha 2ª). 3,5 minutos Demorou o prato do Lamen Lazu, feito com produtos importados. Na 6ª, também havia espera para as mesas, mas não para o balcão. O caldo é mais aromático e o ambiente, modernoso. R. Thomaz Gonzaga, 51, Liberdade, 3277-4286. 11h/15h e 18h/22h30 (dom., até 21h). Cc.: V. Traidores da pátria Em voz baixa, Margarida, do Issa, confessa: "Não gosto de ‘nihonshoku’ (comida japonesa). Gosto mesmo é de carne". Ela vai ao Rubaiyat, ao Fogo de Chão e ao Vento Haragano. "Já que vou pagar, tem que ser bom", ri. Por sua vez, o maridão, seu Massanobu, do Miyabi, come "qualquer coisa". Juntos, vão ao Sinhá (R. Antônio Bicudo, 25, Pinheiros, 3083-6849), de comida brasileira. Mas eles nunca abandonam suas gostosuras orientais. Ainda bem. Aula de japonês: MISSOSHIRO: sopa de missô (pasta de soja fermentada) OKONOMIYAKI: disco de massa com vegetais e diferentes coberturas SASHIMI: fatias de peixe cru SAQUÊ: fermentado de arroz SHOCHU: destilado de arroz, trigo ou batata-doce SUSHI: bolinho de arroz TEISHOKU: combinado de pratos quentes e frios TEMPURA: legumes ou carnes empanados |
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