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Pianista faz maratona com todas as sonatas de Beethoven

21 de dezembro de 2007 | 11h 42
JONATHAN THATCHER - REUTERS

Paik Kun-woo levou cerca de três anos para

gravar todas as 32 sonatas para piano de Ludwig van Beethoven,

mas acha que talvez seja o único pianista que já tocou todas em

público numa maratona de uma semana.

"Tenho vontade de fazer isso sempre", disse à Reuters o

pianista após o concerto final, que, como os sete anteriores,

lotou o teatro e levou o público a pedir vários bis.

É a segunda vez em dois meses que Paik completa o conjunto

de todas as sonatas. A primeira vez foi na China, onde ele foi

convidado para repetir a performance.

"Fiz isso para ter a experiência completa", disse Paik, que

nasceu na Coréia do Sul, passou boa parte da vida no exterior e

reside em Paris há 20 anos.

Aos 61 anos e aparência jovem, ele pareceu cansado após um

concerto em que tocou algumas das últimas sonatas de Beethoven,

incluindo a "Hammerklavier", que têm a fama de exigir muito,

fisicamente, do pianista. Mas Paik negou que estivesse

exaurido.

"Não estou exausto. É uma espécie de transição estranha.

Você está naquele universo, numa esfera musical, e então desce

para a realidade novamente. É preciso se readaptar."

Ele contou que foi apenas depois de ser chamado ao palco

novamente três vezes pelos aplausos do público que seus

músculos reagiram com normalidade, permitindo que sorrisse para

as pessoas que o aplaudiam.

Quando tocou no Centro de Artes Seul, com 2.500 lugares, a

sala ficou lotada todas as noites. Depois de cada concerto

formavam-se longas filas de fãs segurando CDs e programas para

Paik autografar.

Paik tocou seu primeiro concerto em público aos 10 anos.

Mais tarde, estudou na Juilliard School, em Nova York, e também

na Grã-Bretanha e Itália. Um de seus mestres foi o falecido

Wilhelm Kempf, célebre intérprete de Beethoven.

Paik citou Kempf como tendo dito que, de todos os

compositores, era apenas Beethoven que ele iria querer passar a

vida tocando.

"Beethoven compreendia a psicologia do homem. Ele expressou

o sofrimento de tantas pessoas", disse o pianista.

Paik disse que a música de Beethoven se casa bem com o

senso de espaço que marca a arte asiática. "O uso que ele faz

do silêncio é algo notável."



Tópicos: MUSICA, BEETHOVEN, PIANISTA