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Próximo verão terá liberdade de roupas, diz Glória Kalil no SPFW

23 de junho de 2008 | 16h 40
FERNANDA EZABELLA - REUTERS

Um verão sem itens obrigatórios, de

todos os comprimentos e dos mais variados tecidos. É assim,

democrático, que o próximo verão deverá surgir nas lojas e ruas

do Brasil, como demonstraram estilistas durante a semana de

moda de São Paulo.

"Vi poucas novidades e muitas coisas antigas que voltaram

com propostas diferentes de uso", disse à Reuters a consultora

de moda Glória Kalil. "Esse é o verão da liberdade. Não há

tendências definidas, claras."

Como exemplo, a especialista citou as saias, que apareceram

minis, longas e na altura e abaixo do joelho. Já as calças

continuam com a cintura um pouco alta, mas também há

pantalonas, saruel e boca-de-sino.

Uma das peças "antigas" com novas propostas foi o macacão,

em vários estilos, de regata ou tomara-que-caia, com tecidos

nobres ou esportivos. A Colcci exibiu macaquinhos em jeans

branco, e a Maria Bonita usou o linho de uma cor só ou pintado

à mão.

O tema da água permeou algumas coleções, como a da Osklen,

Ellus e Ronaldo Fraga, garantindo uma certa luminosidade em

seus tecidos e criações. O brilho permanece forte no verão,

substituindo o tsunami de estamparias tão lugar-comum nessa

época do ano.

Para Adriana Bechara, coordenadora de moda da revista Vogue

no Brasil, há uma busca pelo dourado, presente em diversos

desfiles.

Isabela Capeto bordou paetês dourados em suas jaquetinhas e

vestidos. Gloria Coelho criou uma segunda pele de escamas

douradas para suas modelos, e a Ellus metalizou suas jaquetas

perfecto.

Para Adriana, o dourado traduz uma vontade dos estilistas

por uma atmosfera barroca, criada também pelos acessórios

exagerados. "Acho que a novidade de acessório hoje é a

bijuteria", afirmou.

"É uma bijuteria rebuscada, tão sofisticada que ou imita

uma jóia muito cara e impossível ou ela é uma instalação",

disse Adriana, citando as gargantilhas de pérolas gigantes de

Reinaldo Lourenço e o cinto de cristais bordados de Gloria

Coelho.

Os saltos também seguem a tendência "escultural", como os

de Alexandre Herchcovitch, Uma e Animale. Para Glória Kalil,

este é o sinal de que chegou ao fim o verão das sandálias

rasteirinhas.

A consultora de moda Costanza Pascolato, empresária da

tecelagem Santa Constancia, pareceu animada com o rumo da moda

brasileira e elogiou muito os desfiles da Osklen, Maria Bonita

e Reinaldo Lourenço.

"Pelo que vi até agora, achei que as pessoas estão

realmente se esforçando para ter uma qualidade diferenciada,

estão tomando vários rumos mesmo que a gente não veja na

passarela", disse Pascolato à Reuters.

"A Osklen está sendo copiada lá fora já", afirmou Costanza,

que diz acompanhar blogs de moda pelo mundo inteiro.

"A Maria Bonita fez um desfile que poderia estar em Paris

em termos de categoria e qualidade... O Reinaldo flertou com a

alta costura... aquele trançado de palha, que aliás é de

cadeira, em tiras de cetim nos vestidos, isso vai ser copiado

no mundo todo."

Após cerca de 50 desfiles em sete dias, no pavilhão da

Bienal, no parque do Ibirapuera, o São Paulo Fashion Week

termina nesta segunda-feira.



Tópicos: MODA, SPFW, BALANCO