Próximo verão terá liberdade de roupas, diz Glória Kalil no SPFW
Um verão sem itens obrigatórios, de
todos os comprimentos e dos mais variados tecidos. É assim,
democrático, que o próximo verão deverá surgir nas lojas e ruas
do Brasil, como demonstraram estilistas durante a semana de
moda de São Paulo.
"Vi poucas novidades e muitas coisas antigas que voltaram
com propostas diferentes de uso", disse à Reuters a consultora
de moda Glória Kalil. "Esse é o verão da liberdade. Não há
tendências definidas, claras."
Como exemplo, a especialista citou as saias, que apareceram
minis, longas e na altura e abaixo do joelho. Já as calças
continuam com a cintura um pouco alta, mas também há
pantalonas, saruel e boca-de-sino.
Uma das peças "antigas" com novas propostas foi o macacão,
em vários estilos, de regata ou tomara-que-caia, com tecidos
nobres ou esportivos. A Colcci exibiu macaquinhos em jeans
branco, e a Maria Bonita usou o linho de uma cor só ou pintado
à mão.
O tema da água permeou algumas coleções, como a da Osklen,
Ellus e Ronaldo Fraga, garantindo uma certa luminosidade em
seus tecidos e criações. O brilho permanece forte no verão,
substituindo o tsunami de estamparias tão lugar-comum nessa
época do ano.
Para Adriana Bechara, coordenadora de moda da revista Vogue
no Brasil, há uma busca pelo dourado, presente em diversos
desfiles.
Isabela Capeto bordou paetês dourados em suas jaquetinhas e
vestidos. Gloria Coelho criou uma segunda pele de escamas
douradas para suas modelos, e a Ellus metalizou suas jaquetas
perfecto.
Para Adriana, o dourado traduz uma vontade dos estilistas
por uma atmosfera barroca, criada também pelos acessórios
exagerados. "Acho que a novidade de acessório hoje é a
bijuteria", afirmou.
"É uma bijuteria rebuscada, tão sofisticada que ou imita
uma jóia muito cara e impossível ou ela é uma instalação",
disse Adriana, citando as gargantilhas de pérolas gigantes de
Reinaldo Lourenço e o cinto de cristais bordados de Gloria
Coelho.
Os saltos também seguem a tendência "escultural", como os
de Alexandre Herchcovitch, Uma e Animale. Para Glória Kalil,
este é o sinal de que chegou ao fim o verão das sandálias
rasteirinhas.
A consultora de moda Costanza Pascolato, empresária da
tecelagem Santa Constancia, pareceu animada com o rumo da moda
brasileira e elogiou muito os desfiles da Osklen, Maria Bonita
e Reinaldo Lourenço.
"Pelo que vi até agora, achei que as pessoas estão
realmente se esforçando para ter uma qualidade diferenciada,
estão tomando vários rumos mesmo que a gente não veja na
passarela", disse Pascolato à Reuters.
"A Osklen está sendo copiada lá fora já", afirmou Costanza,
que diz acompanhar blogs de moda pelo mundo inteiro.
"A Maria Bonita fez um desfile que poderia estar em Paris
em termos de categoria e qualidade... O Reinaldo flertou com a
alta costura... aquele trançado de palha, que aliás é de
cadeira, em tiras de cetim nos vestidos, isso vai ser copiado
no mundo todo."
Após cerca de 50 desfiles em sete dias, no pavilhão da
Bienal, no parque do Ibirapuera, o São Paulo Fashion Week
termina nesta segunda-feira.
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