'Rec 2 - Possuídos' esquenta lista de atrações de terror
'Rec 2 - Possuídos' é ainda mais assustador do que o primeiro filme e esquenta lista de atrações de horror
Um pequeno filme de horror faz história nos EUA. Produção de baixo orçamento de Eli Roth, O Último Exorcismo custou US$ 1,5 milhão e rendeu US$ 20 milhões, gerando um bochincho na internet que não cessa de crescer. Diretor dos primeiros exemplares da série Hostel (há um terceiro, do qual não participa), Roth - numa conversa por telefone - conta que seu filme será distribuído pela PlayArte no Brasil e já celebra o sucesso. "Nosso orçamento era menos que baixo pelos padrões; US$ 1,5 milhão é o equivalente a sem orçamento em Hollywood, mas o diretor Daniel Stamm fez um trabalho criativo e O Último Exorcismo é a prova de não é só o dinheiro que manda."
O Último Exorcismo prova, isso sim, que o horror nunca sai de cartaz. O filme é sobre um exorcista que duvida das possessões demoníacas e parte para o que espera que seja seu derradeiro exorcismo, acompanhado por uma equipe de cinegrafistas. Epa, dirá o leitor. É a vertente de A Bruxa de Blair, de Daniel Myrick e Eduardo Sanchez, que em 1999 também havia feito história ao transformar a internet em ferramenta de promoção para outro filme de orçamento tão baixo que era considerado quase nulo. É nela que se inscreve o horror desta semana nos cinemas de São Paulo (e do Brasil). Rec 2 - Possuídos chega para assustar.
É o segundo filme da série dos realizadores espanhóis Jaume Balagueró e Paco Plaza. Como O Último Exorcismo e A Bruxa de Blair, o filme incorpora câmeras leves ao processo narrativo. Logo na abertura, o espectador já está encerrado com uma equipe de militares que vai invadir o mesmo prédio do primeiro filme. Você se lembra. Era um prédio comum, mas as pessoas, vítimas de um estranho contágio, viravam seres monstruosos rapidamente. Como mortos-vivos, contaminavam os que delas se aproximavam. A carnificina era horrível.
No filme anterior, uma equipe de TV chegava ao local para documentar o que se passava. Boa parte do filme era visto através das lentes - e câmera - do cinegrafista, até que ele próprio virasse vítima. Agora, já na van dos militares eles se documentam entre si, munidos de câmeras. Ao chegar ao local, a pessoa no comando da operação se revela um padre, que exige: "Documentem tudo." De novo, o filme dentro do filme. O segredo do contágio está no sangue de uma menina que teria sido possuída pelo próprio Diabo. O padre está ali em busca de uma amostra desse sangue para desenvolver um antídoto, caso contrário, a humanidade perecerá. Rec 2 = O penúltimo exorcismo.
Mal-estar. Espaços fechados, claustrofobia, pouca luz. Balagueró e Plaza capricham na criação do mal-estar do público. Rec, o primeiro, nasceu de uma conversa dos dois num terraço em Barcelona. Com as luzes da cidade ao fundo, conversavam sobre horror e seus filmes preferidos. Avançaram sobre o tipo de filme que gostariam de fazer - e que teria de ser muito assustador. Linguagem de TV, câmera subjetiva, tempo real, o horror da era dos reality shows. A fórmula repete-se e é aprimorada em Rec 2, mas até os fãs polemizam sobre a entrada em cena do Vaticano. As explicações sobre a origem demoníaca das contaminações não são 100% convincentes, mas você vai pular da poltrona quando os possuídos avançarem sobre a próxima vítima. Um trio de jovens burla a segurança do prédio e entra na dança, também munidos de câmera, justamente para aumentar o sentimento de insegurança do espectador.
Na entrevista por telefone, Eli Roth diz que a realidade é tão horrível - e imprevisível - que o público gosta de sensação de passar incólume pelo horror dos filmes. "Você sente medo, mas sabe que vai sair dali incólume. Pode levar uma garota e abraçá-la, ser seu protetor. E, depois, um filme de mortos vivos é o único em que você pode ir sabendo que não vai enfrentar a concorrência de bonitões como George Clooney."
Erickson Almeida, de 21 anos, é perfeito para ilustrar o que diz Roth. Ele tem medo de filmes de terror, mas banca o corajoso para agradar - ou impressionar - a namorada. Horror, para o seu gosto, tem de ter humor. Quanto mais trash, melhor. José Mojica Mariz, o Zé do Caixão de preferência. Jair Rosa, de 55 anos, prefere o horror a sério, embora não descarte Zé do Caixão. Seu favorito é O Grito, o original japonês, que tem outra dimensão, surreal. A cada um seu horror. E todos nas cola de Rec 2.
A evolução de uma fórmula de sucesso
Nos anos 1940, Val Lewton criou uma escola de terror baseada na sugestão. Nada era mostrado para que o espectador imaginasse tudo, em clássicos como Sangue de Pantera, de Jacques Tourneur. Vieram depois o chuveiro de Psicose, de Hitchcock, a baba e o sangue de O Exorcista, de Friedkin. Para assustar mais, o cinema começou a mostrar (Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo). O horror ficou mais político - os zumbis de Romero metaforizam a história dos EUA. E Kubrick adota a chave de Freud em O Iluminado.
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