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Retrospectiva 2011

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Retrospectiva - 10 filmes que marcaram 2011

Os premiados, as surpresas, os retornos: os longas-metragens que ganharam destaque no ano

22 de dezembro de 2011 | 21h 05
João Paulo Carvalho - estadão.com.br

O ano de 2011 começou com o embate entre O Discurso do Rei e A Rede Social no Oscar. A trama britânica sobre o rei gago saiu-se melhor e faturou quatro prêmios, incluindo filme do ano.

'O Palhaço', segundo longa de Selton Mello, foi visto por mais de1 milhão de espectadores - Divulgação
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'O Palhaço', segundo longa de Selton Mello, foi visto por mais de1 milhão de espectadores

Se Woody Allen voltou a conquistar crítica e público com o belo Meia-Noite em Paris, o dinamarquês Lars Von Trier polemizou com piadas sobre o nazismo na coletiva de Melancolia no Festival de Cannes e dividiu opiniões sobre o longa. O mesmo festival, aliás, consagrou A Árvore da Vida, quinto filme de Terrence Malick em 38 anos.

As continuações de blockbusters continuaram rendendo dividendos aos estúdios e duas delas estiveram entre os filmes mais aguardados do ano: Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 e Piratas do Caribe 4.

Pedro Almodóvar retornou sua dobradinha de sucesso com Antonio Banderas - seu muso nos anos 1980 - no elogiado A Pele que Habito e sobrou espaço até para uma produção nacional. O Palhaço, segundo longa de Selton Mello, levou mais de um milhão de pessoas aos cinemas e teve o aval da crítica. Veja a seguir os destaques do ano:

Melancolia, de Lars Von Trier

Melancolia foi um dos destaques de 2011. O dinamarquês abusa de metáforas, cenas fortes e uma trilha sonora impactante para colocar em pauta temas como a família e o casamento no mundo contemporâneo. O diretor aborda diferentes assuntos de maneira bastante intensa. "Se a vida vai acabar, nada do que fizermos, de heroico nem de mesquinho, vai importar", disse o cineasta em entrevista ao Estado em agosto.

O longa conta com belíssimas atuações de Charlotte Gainsbourg e Kirsten Dunst. Kirsten, que interpreta a publicitária Justine, levou o prêmio de melhor atriz no Cannes deste ano. Apesar do filme, Lars Von Trier foi alvo de duras críticas na França. O diretor acabou expulso pela organização do festival após suas declarações nada simpáticas referentes ao nazismo. Sem medir as palavras, revelou que entendia Adolf Hitler e até simpatizava com ele. Foi forçado a pedir desculpas. Não adiantou.

Meia-Noite em Paris, de Woody Allen

Na comédia romântica Meia-Noite em Paris, Woody Allen presenteia os espectadores com possíveis encontros entre os grandes artistas da história da literatura, artes plásticas e da música, na capital francesa na década de 20. No filme, o jovem casal Inez (Rachel McAdams) e Gil (Owen Wilson) visitam a cidade. Gil é um escritor de roteiros de filmes clichês, cansado de escrever para Hollywood e ingressado numa jornada em um romance.

Ernest Heminghay, Zelda e Scott Ftizgerald, Pablo Picasso, Gertrude Stein, Cole Porter, Henri Matisse e Salvador Dalí são apenas algumas das personalidades que se encontram misteriosamente com o escritor nas noites francesas. Meia-Noite em Paris é um filme despretensioso, engraçado e, acima de tudo, saudosista.

A Árvore da Vida, de Terrence Malick

A produção do diretor americano Terrence Malick, levou a Palma de Ouro, o principal prêmio de Festival de Cinema de Cannes deste ano. O filme, que tem as atuações de Brad Pitt e Sean Penn, marca a volta de Malick aos cinemas após seis anos afastado das telonas. A Árvore da Vida conta a história da criação de uma família americana dos anos 50. A mãe, interpretada por Jessica Chastain, esforça-se para educar os três filhos com valores de amor e religião. O pai (Pitt), linha-dura e agressivo, tenta impor disciplina e opressão aos filhos. Sean Penn, o filho mais velho, puxa a linha narrativa da história, de trás para frente, do momento da notícia da morte prematura de um dos irmãos voltando até o nascimento e a infância das crianças.

O Discurso do Rei, de Tom Hopper

O vencedor de quatro estatuetas do Oscar 2011 não poderia ficar de fora da lista. A história do rei gago George VI levou para casa os prêmios de melhor filme, melhor ator (Colin Firth), diretor e roteiro. O longa britânico disputou uma corrida apertada pelos Oscar com A Rede Social, que relata a ascensão do Facebook.

Dirigido por Tom Hopper, O Discurso do Rei mostra a história do rei George VI, o pai da atual rainha da Inglaterra, Elizabeth II. Após ver seu irmão Edward (Guy Pearce) abdicar o trono inglês, o jovem George (Colin Firth) se vê obrigado a assumir a coroa. Dono de uma gagueira que lhe deixa em maus bocados com os súditos, o rei busca a ajuda do terapeuta da fala Lionel Logue (Geoffrey Rush).

Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2, de David Yates

Após 10 anos, a franquia Harry Potter chegou ao fim em grande estilo. Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2, novamente dirigido por David Yates, tornou-se o terceiro maior filme em arrecadação de bilheteria da história. A produção, que até meados de agosto havia arrecadado US$ 1.146 bilhão nos cinemas de todo o mundo, fica atrás apenas de Avatar e Titanic.

Nesta segunda parte de Reliquias da Morte, Harry (Daniel Radcliffe) assume as ações, o que o levará à descoberta de sua própria natureza e o conduzirá de volta a Hogwarts, o lar no qual ele descobriu o senso de fraternidade, amizade, solidariedade e cooperação. Os professores e os alunos de Hogwarts terão de decidir de qual lado ficarão, e se valerá a pena lutar pelo futuro.

O Palhaço, de Selton Mello

O segundo longa dirigido por Selton Mello foi o destaque nacional do ano. No filme, Selton e Paulo José interpretam a dupla de palhaços Pangaré e Puro-Sangue, que dão vida, respectivamente, a Benjamim e Valdemar, principal atração do Circo Esperança.

Apesar de levar o público às gargalhadas, Benjamim entra em crise e sai em busca de sua própria identidade. Além de Paulo José e Selton Mello, a produção conta com as atuações de Ferrugem, Jorge Loredo e Moacyr Franco. O Palhaço ganhou os prêmios de melhor ator coadjuvante (Moacyr Franco) direção, roteiro e figurino no Festival de Cinema de Paulínia.

Cisne Negro, de Darren Aronofsky

O filme rendeu à Natalie Portman o Oscar de melhor atriz. Portman interpreta a bailarina Nina dedicada integrante de uma grande companhia de balé de Nova York. A bailarina vê na nova adaptação do espetáculo O Lago dos Cisnes a chance de brilhar.

O diretor artístico Thomas (Vincent Cassel) aposenta a então estrela do grupo, Beth (Winona Ryder), e escolhe, um pouco desconfiado, Nina protagonista. Ele considera a bailarina perfeita para o papel do Cisne Branco, mas duvida que ela consiga encarnar o Cisne Negro, sua gêmea sensual e traiçoeira. Perturbada pela pressão de conseguir o papel, Nina perde a noção da realidade e tenta de todas as formas incorporar a personagem.

Piratas do Caribe 4 - Navegando em águas misteriosas, de Rob Marshall

O quarto capítulo da saga de Jack Sparrow (Johnny Depp) rendeu uma excelente bilheteria para o longa, que ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão em arrecadação em bilheteria ao redor do mundo No filme, Sparrow vai até Londres para resgatar Gibbs (Kevin McNally), integrante de sua tripulação no Pérola Negra.

Lá, ele descobre que alguém está usando seu nome para conseguir marujos em uma viagem rumo à Fonte da Juventude. Sparrow investiga e logo percebe que Angelica (Penélope Cruz), um antigo caso que balançou seu coração, é a responsável pela farsa. Ela é filha do lendário pirata Barba Negra (Ian McShane).

A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar

Antonio Banderas interpreta o bem-sucedido cirurgião plástico Richard Legrand que, após a morte de sua esposa, parte em busca de uma pele perfeita, que poderia salvá-la. Richard é capaz de tudo para tentar reescrever a história e evitar o inevitável. Dirigido por Pedro Almodóvar, A Pele que Habito faz um ensaio sobre amor, ódio, vingança e busca eterna pelo inalcançável.

O Garoto da Bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

A obra-prima dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne coloca em evidência o desprezo e o abandono da infância. O longa conta a história do garoto Cyril (Thomas Doret), de 12 anos, que não consegue superar o fato de seu pai (Jérémie Renier) tê-lo deixado em um internato para ir morar com uma nova esposa. O Garoto da Bicicleta, que também conta com a atuação de Cécile de France (Além da Vida), foi o vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes 2011.



Tópicos: Retro2011