Rio de Janeiro fica sem palco para concertos
Não venha para o Rio nos próximos três meses se você não passa sem ópera nem concertos. Até maio, o Teatro Municipal estará fechado, por conta das avarias em seu prédio anexo (usado para venda de ingressos e ensaios) provocadas pelo desabamento de três prédios vizinhos uma semana atrás, e da necessidade de testes de todo o maquinário do principal (de 1909 e inteiramente reformado). Em obras desde 2010, a Sala Cecília Meireles, cenário dos principais concertos de câmara da cidade, segue fechada até o fim do ano. Com a carência de outros espaços de porte, o público ficará na mão.
"Eu ia anunciar a programação que começaria dia 8 de março na sexta passada. Preciso rever todos os sistemas do teatro e consertar o anexo. E tenho uma responsabilidade muito grande com todos que circulam ali", disse ontem a diretora do Municipal, Carla Camurati.
Enquanto isso, a Cidade da Música, que começou a ser construída há dez anos e seria a casa da Orquestra Sinfônica Brasileira, continua uma bela e silenciosa construção entre as vias de alta velocidade da Barra da Tijuca. Agora Cidade das Artes, tem previsão de abertura para este semestre. Mas depois de tanto atraso e reavaliações de custos (atualmente em R$ 600 milhões) -, a descrença é grande.
O diretor artístico da OSB, Fernando Bicudo, cobra uma solução. "É o momento de o prefeito salvar a programação musical da cidade, evitar essa paralisação. A OSB tem programação pronta de 70 concertos para o Municipal, e perto de 100 só para a Cidade da Música, esperando que ela abra."
Bicudo fez uma visita à casa da Barra antes do Natal e viu tudo pronto. "Encontramos uma maravilha, sem resquícios de obra. Esse desabamento mostrou a precariedade de nossos espaços. São Paulo tem seis ou sete teatros capazes de receber uma sinfônica ou ópera. Aqui, no Rio, só temos o Municipal."
O anexo do Municipal ainda será periciado para que se ateste que não há riscos para os funcionários. Já o Municipal, de 1909 e inteiramente reformado, "está intacto" do ponto de vista estrutural.
O diretor da Cecília Meireles, João Guilherme Ripper, também está na expectativa: mesmo fechada, a sala tem 11 concertos agendados para o palco do Municipal este ano. Até maio, onde realizá-los? "Ninguém tem essa resposta." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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