Saramago diz que 'Viagem do Elefante' pode ser último livro
'Já não espero escrever muitos livros e se escrevo algum é um milagre', diz o Nobel de Literatura de 86 anos
O autor português José Saramago reconheceu nesta terça-feira, 16, que A Viagem do Elefante pode ser seu último livro. O Nobel de Literatura disse que se decidir escrever mais, gostaria que a qualidade não fosse inferior a qualquer de suas obras. Veja também: Exposição em SP homenageia o escritor José Saramago Vídeo: "Não há direitos humanos", diz Saramago José Saramago fala de seu novo livro, 'A Viagem do Elefante' "Tenho 86 anos e estou suficientemente lúcido. (Mas) já não espero escrever muitos livros e se escrevo algum é um milagre", disse. O escritor apresentou A Viagem do Elefante na Casa de América, em Madri. O título já vendeu mais de 70 mil exemplares na Espanha. Saramago agradeceu a boa recepção à obra, escrita em 2007, enquanto lutava com uma grave infecção respiratória. Agora, o escritor já está curado. "Não tenho motivos para queixar-me aqui (na Espanha) e em Portugal. Sair de uma enfermidade tão complicada como a minha e tirar forças de onde não se tem...estou contente", afirmou, emocionado. A Viagem do Elefante é inspirado em um fato real. No meio do século XVI, o rei João III, de Portugal, presenteou seu primo arquiduque Maximiliano, da Áustria, com um elefante. O animal, chamado Salomão, foi obrigado a percorrer meia Europa, desde Lisboa até Viena, pelo capricho de Maximiliano. "Não é uma novela histórica, como se chegou a dizer. Pelo menos 95% é invenção e o resto realidade", explicou. "A imaginação é constante para manter a atenção do leitor." Saramago lembrou ainda de um artigo publicado por ele na imprensa recentemente, segundo o qual os problemas causados pela crise financeira internacional são um crime contra a humanidade. "Todos sabem quem são os responsáveis, mas alguém pensa que vão à prisão?", questionou. "Os atentados contra a dignidade humana são tantos que não sei nem por onde começar." Saramago mora atualmente na Ilha de Lanzarote, na Espanha. Autor de obras bastante conhecidas, como O ano da morte de Ricardo Reis (1984), O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), e A Caverna (2000), ganhou, entre várias outras distinções, o Prêmio Nobel de Literatura em 1998.
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