Vítimas dizem que News Corp admitiu ter acobertado grampos
O braço responsável pelos jornais britânicos do conglomerado de mídia News Corp admitiu às vítimas de um escândalo de espionagem que executivos do grupo mentiram a investigadores e destruíram provas que revelariam a dimensão do caso, disseram na quinta-feira advogados de vítimas que selaram acordos judiciais com a empresa.
"O News Group concordou que a indenização fosse avaliada com base no fato de que empregados graduados e diretores sabiam sobre as irregularidades e as tentaram ocultar ao deliberadamente enganar investigadores e destruir provas", disse a nota divulgada na quinta-feira pelos advogados.
Eles devem declarar a um juiz de Londres que muitas das vítimas mais famosas - incluindo esportistas, atores e políticos - estão dispostas a retirar suas queixas após o acordo. Dos primeiros 26 processos abertos, 19 teriam sido resolvidos dessa forma.
A News International, que edita os jornais da News Corp na Grã-Bretanha, disse que não iria comentar a declaração. A empresa instituiu em novembro um esquema de indenizações para as vítimas da espionagem telefônica. Mais de 60 queixas já foram formalizadas, e a polícia diz que há quase 6.000 vítimas potenciais.
Advogados de 12 escritórios uniram forças e descobriram documentos da News International que revelavam a tentativa de destruição de provas. A News Corp anteriormente dizia que os grampos telefônicos haviam sido realizados por um repórter insubordinado, mas no ano passado a companhia admitiu que o problema era mais disseminado, e por isso indenizou várias vítimas.
"Documentos relativos à natureza e à escala da conspiração, um acobertamento e a destruição de provas e arquivos de email por parte do News Group foram agora revelados aos autores dos processos", disse nota.
"Diante da esmagadora evidência, a tese do 'repórter insubordinado' se desintegrou, e a dimensão e escala dos grampos telefônicos se tornaram claras."
O escândalo levou a News Corp a desativar seu tabloide News of the World, que existiu durante 168 anos e estava no centro do caso de grampos telefônicos.
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