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84 árvores são cortadas por dia na cidade com autorização da Prefeitura

Nos primeiros sete meses do ano, foram 18 mil; replantio mal feito e falta de acompanhamento das mudas comprometem compensações

25 de agosto de 2011 | 22h 49
Rodrigo Brancatelli e Cida Alves - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Cada vez mais cinza, monocromática, árida. Nos primeiros sete meses do ano, a São Paulo que já sofre com a falta de verde autorizou o corte de 18.005 árvores, o mesmo número existente nos Parques do Ibirapuera e Villa-Lobos juntos. É como se todas as árvores do Ipiranga e de Santo Amaro tivessem sumido - saíram os jerivás e pimenteiras, entraram os prédios residenciais e obras de infraestrutura.

Foram 84 árvores a menos por dia, 2.572 por mês. O levantamento foi feito com base em dados da Comissão do Verde e Meio Ambiente da Câmara Municipal de São Paulo e nas autorizações de corte de árvores publicadas no Diário Oficial da Cidade. Em 2010, segundo a Prefeitura, 10.693 árvores foram cortadas. Esses balanços não levam em conta o corte ilegal de vegetação e o desmatamento de áreas ocupadas por favelas, o que inflaria o número para patamares mais impressionantes.

Em todos os casos, a Prefeitura exige o replantio de alguns exemplares e a doação de mudas para compensar a perda de vegetação - segundo especialistas, uma prática executada sem sucesso e com fiscalização insuficiente. Isso porque, quando transplantadas para outro lugar, as árvores têm grande probabilidade de secar e morrer. Além disso, não há um acompanhamento para que as mudas plantadas "vinguem" e virem novas árvores. Ou seja, mesmo a compensação sempre está longe de remediar o problema.

"Além de perdermos árvores antigas, qualquer um vê que a contrapartida não funciona. É só analisar o número de mudas secas morrendo nos canteiros da cidade", diz o arquiteto Marcelo Novaes, morador do Morumbi, na zona sul. Há três meses, ele pede a poda de uma árvore na frente de sua casa, sem resposta da Prefeitura. "O morador não consegue evitar que uma árvore caia de podre, mas as construtoras conseguem desmatar terrenos inteiros."

Da Vila Mariana ao Morumbi, a zona sul foi a que mais perdeu árvores em 2011. Em um terreno na Rua Diego de Castilho, no Panamby, por exemplo, 79 árvores serão cortadas para dar lugar a um prédio. Em contrapartida, a construtora afirma que terá de preservar 36 árvores, plantar outras 83 no próprio terreno e doar 2.074 mudas. Perto dali, no Campo Belo, também foi autorizada a retirada de 77 árvores para construção de três edifícios. "Plantaremos 36 árvores no terreno, 32 na calçada e doaremos 811 mudas", diz Constâncio Sampaio, diretor responsável pela obra.

Já na Vila Mariana, o corte de 45 árvores no terreno do Instituto de Engenharia (IE) ainda causa indignação na vizinhança. No dia 23 de julho, moradores foram acordados com o som de motosserras. No local, foram informados de que seriam cortadas mais de 40 árvores que tinham pragas. Eles questionam se não haveria outra solução para o problema.

O IE disse possuir um relatório que comprova a necessidade de cortar as árvores e de podar outras 187. A Subprefeitura da Vila Mariana informou que o corte seguiu todos os trâmites legais.

De acordo com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, o acompanhamento das obrigações ambientais é feita mediante "a apresentação de medição das obras". O órgão também afirma que técnicos conferem árvore por árvore plantada.

Qualidade de vida. A falta de árvores não é apenas um problema cenográfico. Além de diminuir o risco de escorregamento de encostas e de alagamentos, a vegetação serve para melhorar a qualidade do ar e para resfriar a temperatura. "Estamos perdendo árvores raras e exemplares estrangeiros da época da São Paulo rural", diz o ambientalista Ricardo Cardim, autor do blog arvoresdesaopaulo.wordpress.com. "Além disso, as árvores não são enfeites, elas são fábricas de qualidade de vidas para as pessoas."






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