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A juventude acordou para as ruas. E agora?

Três em cada quatro jovens da capital paulista manifestaram-se pela primeira vez em 2013

13 de dezembro de 2013 | 12h 38
Felipe Resk, Juliana Diógenes, Marco Antônio Carvalho e Teresa Dias

De cada quatro jovens paulistanos que foram às manifestações deste ano, fenômeno que levou milhões às ruas e surpreendeu o País, três protestavam pela primeira vez. O dado surgiu de entrevistas com 420 pessoas entre 15 e 29 anos da cidade de São Paulo, realizadas entre 30 de novembro e 2 de dezembro, pela 24ª turma do Curso Estado de Jornalismo, com consultoria do Ibope. O suplemento Focas percorreu a maior cidade da América Latina para tentar entender o que pensam os jovens.

Foi em 2013 que a juventude quebrou a passividade, dizem cientistas políticos e sociólogos. Os protestos podem indicar o ressurgimento de uma atuação política contundente por parte dos jovens, que estavam “adormecidos”.

“Até 2012, parecia que a juventude estava relativamente cética, passiva e longe de qualquer mobilização”, diz o cientista político José Álvaro Moisés, coordenador do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP). “O ano de 2013, porém, apontou sinais de uma direção completamente diferente.”

A opinião é compartilhada pelo professor Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). “O mês de junho revela um mal-estar de parte da juventude, que parece disposta a se interessar e se envolver mais com a política.”

O levantamento revelou que a maioria dos jovens está insatisfeita com o sistema político brasileiro: 77% não se sentem representados por partidos.

Para especialistas, a crise de representação instaurada é ainda mais grave quando se considera a carência de novos líderes políticos. Na visão dos estudiosos, parte do problema está associada à falta de capacidade dos partidos políticos de acompanhar os novos rumos da sociedade. “Os partidos se organizam e têm uma dinâmica de sociedade velha, uma sociedade que não consegue conversar com o mundo novo. Os discursos são sempre os mesmos”, avalia Carlos Melo.

Esse anacronismo é ainda mais evidente entre os jovens. Os políticos atuais são “tema de caricatura” dos programas de televisão assistidos pela juventude, diz o cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele acredita que isso reforce a imagem da política como “um lugar de carcomidos”.

O surgimento de líderes capazes de reverter esse cenário político engessado, no entanto, pode não vir das ruas. Wagner Romão, cientista social da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é de opinião que se o desejo de mudança das massas não se converter em algum tipo de institucionalização, dificilmente haverá uma liderança influente. “As ruas sozinhas não produzem líderes. Claro que as lideranças tradicionais de movimentos sociais vão continuar aparecendo. Mas elas vão ter de estabelecer algum tipo de contato com essa massa que a gente tem dificuldade de identificar.”, afirma.

Redes sociais. O ativismo nas ruas também se reflete no ambiente virtual. O levantamento mostrou que jovens que participaram dos protestos têm ação mais intensa nas redes. Entre os manifestantes, 57% disseram sempre curtir ou compartilhar assuntos que consideram importante. O número cai para 34% entre os que não foram.

Apesar de não ter ido a nenhum protesto, o universitário Ismael Andrade, de 25 anos, também acabou intensificando postagens relacionadas a política. “Três vezes por semana, compartilho assuntos desse tipo. Todo dia é incômodo”, diz o estudante. “Durante as manifestações, postava minha opinião sobre o movimento, que eu acreditava ser mais uma manobra política do que qualquer outra coisa.”

Manifestações convocadas de maneira rápida, singular e “praticamente da noite para o dia”, segundo Nicolau, são inéditas no País. “Uma manifestação envolvia uma convocação que começava um mês antes e o processo era caro. Exigia trabalho individual, de pessoas saindo às ruas e chamando outras.”

O recifense Mano Ferreira, de 23 anos, estava em São Paulo quando explodiram as manifestações de junho. Nas duas semanas que passou na cidade, foi três vezes à Avenida Paulista para protestar. Mano diz que o desagrado com os partidos políticos e instituições tradicionais tem evoluído para uma insatisfação com o sistema político como um todo. “As pessoas já têm predisposição por causa desse descontentamento. Quando veem mais gente protestando, aproveitam para extravasar.”

Imagina na Copa. O ano da Copa do Mundo e de eleições presidenciais concentra incertezas, expectativas e prognósticos cautelosos de sociólogos. Já os jovens entrevistados parecem não ter dúvidas. A maioria absoluta (91%) acredita que as manifestações vão voltar durante a Copa. “O que não vai acontecer mais é o caráter espontâneo”, diz o cientista político Jairo Nicolau. “Aquilo foi um efeito fabuloso de contágio, imitação, criação. Mas isso não se repete.”

Para o também cientista político Antônio Flávio Testa, da Universidade de Brasília (UnB), é difícil pensar que haverá mudança no Brasil a médio prazo. Nas eleições, porém, Testa acredita que terá “um número significativo de abstenções e votos de protesto”. Diante de respostas pouco expressivas da administração pública aos anseios da população, 2014 colocará em prova a capacidade de mudança através das urnas.






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