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As três vozes do Rio e de São Paulo

Eles puxam samba no Anhembi e na Sapucaí

10 de fevereiro de 2013 | 8h 48
Juliana Deodoro, O Estado de S.Paulo

Apenas 22 horas separam o fim do desfile da Mancha Verde, no sambódromo do Anhembi, em São Paulo, e o início da apresentação da Império Serrano, na Sapucaí, no Rio. Nesse intervalo, o intérprete Fredy Vianna terá de se recuperar do primeiro desfile, descansar, pegar a ponte aérea e estar pronto para, mais uma vez, puxar uma escola de samba. Assim como ele, outros dois cantores têm energia – e fôlego – para participar dos carnavais mais importantes do País.

Igor Sorriso puxa a Acadêmicos do Tucuruvi, em São Paulo, e a São Clemente, no Rio. Wander Pires, a voz que leva o samba-enredo da Vai-Vai, é também um dos responsáveis pela animação da Imperatriz Leopoldinense. Para eles, a jornada é intensa, mas ser reconhecido nos dois carnavais, dizem, vale o esforço.

Para Sorriso, a maior preocupação é fazer um trabalho de “alto nível” nas escolas. “Essa é uma experiência diferente, nova, cansativa, tem de estar bem preparado, mas dá uma valorização muito maior ao seu trabalho”, diz. Com forte sotaque carioca, ele vem pela segunda vez a São Paulo. “A organização, a musicalidade e o fanatismo paulistano me atraíram”, afirma.

O trabalho fica pesado mesmo em janeiro, com a intensificação dos ensaios. Fredy, por exemplo, ia para Santos às segundas-feiras – onde puxa a Mocidade Independente de Padre Paulo. Nas terças e quartas, os ensaios eram no Rio. Às quintas, sextas e sábados, ficava na Mancha Verde; no domingo, voltava para o Rio. “Muito desgaste, mas, mesmo assim, tento conciliar tudo e vou tentar o título com as três.”

Dos três intérpretes, só ele é rebento do carnaval paulistano. De Belo Horizonte, viveu no Rio, mas se criou no samba da metrópole. Em 1999, começou a compor e, em 2000, venceu pela X9-Paulistana. Virou intérprete. Estar na Império Serrano, mesmo no Grupo de Acesso carioca, é uma vitória. “Os olhares estão voltados para o Rio. Já pensou se a escola sobe? Não tem felicidade maior.”

Segundo Fredy, não há possibilidade de confundir as letras. “Os tons são diferentes, não tem como confundir, mas, quando faço o grito de guerra, preciso me concentrar. As duas escolas são verde e branco, tenho de focar em qual eu estou.”
Para Sorriso, não há espaço para confusões. “Neste ano, estou sendo privilegiado, tenho duas chances de fazer um bom trabalho.”






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