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Ataques e ofensas marcam segundo dia de júri de Mizael

Defesa do ex-policial militar acusado de matar a namorada Mércia Nakashima tentou desmontar a investigação

12 de março de 2013 | 22h 52
William Cardoso e Monica Reolom

O segundo dia do júri do advogado e ex-policial militar Mizael Bispo de Souza, acusado de matar a namorada Mércia Nakashima em maio de 2010, foi marcado por ofensas pessoais e provocações entre acusação, defesa e o delegado Antonio de Olim. O policial foi questionado por 5 horas e 20 minutos no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. O promotor Rodrigo Merli Antunes chegou a dizer que o advogado Ivon Ribeiro era "amigo do diabo" por contar "mentiras".

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Na frente do Fórum de Guarulhos manifestantes pedem a prisão de Mizael Bispo de Souza - Werther Santana/AE
Werther Santana/AE
Na frente do Fórum de Guarulhos manifestantes pedem a prisão de Mizael Bispo de Souza

Os advogados do réu exploraram questões pontuais para suscitar dúvida entre os jurados. O advogado Samir Haddad Junior usou reportagens da época das investigações para colocar em xeque o trabalho de Olim à frente do caso. Haddad disse que o policial não deu importância a pessoas que surgiram com outras versões para o crime.

O advogado Wagner Aparecido Garcia questionou Olim, perguntando sobre detalhes da investigação, como, por exemplo, se o vigia Evandro Bezerra (apontado como cúmplice) notou se Mizael estava molhado quando deixou a represa onde o corpo de Mércia foi deixado.

Olim então foi interrogado pelo advogado Ivon Ribeiro. "O senhor sabe coisas que nem ele (Mizael) sabe", afirmou o defensor. "O senhor não vai sair fácil daqui comigo, não", disse, em outro momento. "Esse documento que o senhor trouxe aqui não presta", falou Ribeiro, sobre a lista de ligações do réu e de onde elas teriam sido feitas. O juiz Leandro Bittencourt Cano interveio: "Não presta para a defesa, talvez para a acusação, sim. Se houver necessidade, vou adotar o sistema presidencialista (as perguntas só seriam feitas por intermédio do magistrado)."

Depois de mais questionamentos provocativos sobre a atuação de Olim à frente do caso, especialmente em relação à data de um interrogatório de Silva, o promotor Rodrigo Merli Antunes se exaltou. "O senhor não conhece o processo e está induzindo todos a erro. O senhor é desleal. O senhor é mentiroso. O diabo é o pai da mentira. O senhor é amigo do diabo." "Mentiroso é o senhor", respondeu o advogado. A partir daí, todas as perguntas para Olim foram, obrigatoriamente, feitas primeiro ao juiz.

Assim que deixou o júri, o delegado afirmou que estava tranquilo. "Falei só a verdade. Quem tem que contar história e mentira são eles", disse. Olim disse que não se surpreendeu com a forma como foi tratado no júri.

Testemunhas

Também foi chamado como testemunha de acusação o presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), Arles Gonçalves Júnior. Ele acompanhou os interrogatórios de Evandro e afirmou que não viu nenhum ato de tortura contra Bezerra, que apontou Mizael como responsável pelo crime. "Obviamente, o trato policial não é o mesmo que o do advogado, do promotor ou do juiz, mas não vi nenhum abuso."

Em seguida, foi ouvida a primeira testemunha da defesa, a corretora de imóveis Rita Maria de Souza, amiga de Mizael, que falou pouco sobre a relação do réu com Mércia. Ela disse que ele era um bom advogado. A segunda testemunha de defesa foi o policial civil Alexandre Simone, especialista em rastreamento telefônico. Ele optou por não ter a imagem divulgada na transmissão ao vivo do júri pela televisão e internet.

Mizael acompanhou todos os testemunhos. A defesa prevê que ele seja ouvido amanhã.




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