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Atentados em Santa Catarina impõem toque de recolher não oficial

Polícia e donos de empresa alteram os horários dos ônibus durante a noite

04 de fevereiro de 2013 | 17h 40
Júlio Castro

FLORIANÓPOLIS - As ações criminosas protagonizadas por supostos integrantes da facção Primeiro Grupo da Capital (PGC) nas cidades catarinenses criou um clima de insegurança na população. Autoridades policiais e donos das empresas de ônibus das duas principais cidades catarinenses, Florianópolis e Joinville, determinaram uma espécie de "toque de recolher".

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Secretaria de Segurança Pública suspeita que a ordem para os ataques parta de dentro de presídios - Cadu Rolim/FotoArena
Cadu Rolim/FotoArena
Secretaria de Segurança Pública suspeita que a ordem para os ataques parta de dentro de presídios

A determinação de redução dos horários de ônibus urbanos e, em alguns casos, a paralisação total da atividade no horário noturno, foi feita para evitar novos ataques que, em geral, termina com o incêndios nos veículos. Em Florianópolis a circulação funcionou normalmente até às 20 horas. Após este horário, a frequência foi de acordo com a demanda e sempre com os veículos acompanhados por escolta policial. Das 23 horas de segunda às 6h30 de terça-feira os coletivos não circulam na capital catarinense.

Em Joinville, cidade com o maior número de registro de ataques, os ônibus circularam em horários especiais até domingo. A Polícia Militar colocou em ação nesta segunda-feira uma operação especial com o aumento do número de soldados e viaturas nas ruas. Joinville também recebeu reforço da Capital com a chegada de 12 soldados do Centro de Operações Especiais (Cope) após o serviço de inteligência descobrir que os policiais estariam entre os alvos das próximas ações dos criminosos. Orientações à população e aos donos e frentistas de postos de combustíveis também estão sendo repassadas pelo contingente policial presentes na ruas da maior cidade catarinense.

Em Florianópolis houve uma queda acentuada no número de usuários dos transportes coletivo, conforme Marcos Espirito Santo, agente da empresa Canasvieiras com atuação no principal terminal de ônibus da cidade, o Ticen. "Não sei se por medo ou a redução de horários. Percebemos que estão usando o serviço aquelas pessoas que realmente necessitam", explica. "Tomara que acabe logo com isso e da melhor forma. A gente se sente insegura", comentou a dona de casa Marta Real, 59 anos. Atendente de uma peixaria no mercado público, ponto de grande movimentação popular próximo ao Ticen, Tiago Bargio destaque que o poder publico não oferece segurança à população. "Está havendo uma incoerência por parte destes caras. Estamos pagando por aquilo que não fizemos. Não fomos nós que torturamos. Também estamos de vítimas neste caso. Somos reféns de um sistema inoperante e arrisco a dizer que estão nos usando para defender interesses escusos", desabafa Tiago. Dono de uma banca de revistas, Nilton Santiago sugere mais ação dos órgãos de segurança. "Que convoquem o exército para ajudar. Se colocarem um soldado ou policial em todos os ônibus, as pessoas se sentirão mais seguras e a onda de ataques vai acabar", sugere.

Na véspera do Carnaval, a preocupação com a evasão de turistas é outra preocupação do segmento turístico e comercial de Florianópolis, porém os atentados não comprometeram o fluxo habitual desta época do ano. O presidente do Sindicato de Bares, Hotéis e restaurantes Tarcísio Schimdt destaca que não tem conhecimento de queda no número de turistas. "As pessoas que aqui chegam se mostram um pouco alheias. Entendo que a grande preocupação ainda é da população local", acentua Tarcísio. Dono do Box 32, principal ponto gastronômico no Mercado Público de Florianópolis, o empresário Beto Barreiros acrescenta que o centro da cidade é um dos locais mais seguros da Capital. "Nesta região não existe rotas de fuga para os marginais já que estamos numa ilha", explica.




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