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Bruno poderá sair da prisão em 4 anos

Condenado a 22 anos e 3 meses, goleiro terá direito a regime semiaberto em 2017; promotor vai recorrer para aumentar a pena

08 de março de 2013 | 21h 30
Marcelo Portela e Aline Reskalla

CONTAGEM - O goleiro Bruno Fernandes poderá pedir o regime semiaberto daqui a quatro anos e cinco meses. Após quatro dias de julgamento, a condenação de 22 anos e 3 meses de prisão pela morte e ocultação de cadáver da ex-amante Eliza Samudio e pelo sequestro e cárcere privado do filho, foi anunciada na madrugada desa sexta-feira. A outra acusada, a ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo, foi absolvida, por 4 votos a 3, assim como havia sido solicitado pela Promotoria.

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Defesa de Bruno quer anular o julgamento - Marcelo Alberto/TJMG/Divulgação
Marcelo Alberto/TJMG/Divulgação
Defesa de Bruno quer anular o julgamento

Segundo o criminalista Antonio Carlos Mariz de Oliveira, ele terá direito ao semiaberto em 2017. O cálculo é feito com base na pena específica do homicídio, de 17 anos e seis meses; por ser um delito classificado como hediondo, ele exige que ao menos dois quintos da condenação sejam cumpridos em regime fechado, sete anos portanto. O tempo que Bruno já passou na cadeia, dois anos e sete meses, é descontado desse período, e o prazo pode ser encurtado caso o atleta trabalhe.

Embora tenha decidido recorrer da sentença, por considerá-la baixa, o promotor Henry Wagner Vasconcelos disse que está satisfeito com a condenação do réu. "A Promotoria de Justiça está com sua tarefa cumprida. e buscará no mês de abril, num julgamento que se dará no dia 22, a condenação do executor do assassinato e da ocultação ou destruição do cadáver de Eliza do réu Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, com a mesma precisão e veemência com que atuou no julgamento desta semana e no julgamento da última semana do mês de novembro do ano passado."

Apelação

A defesa do ex-atleta do Flamengo já apresentou uma apelação à juíza e afirmou que também pretende recorrer em instâncias superiores para anular o julgamento realizado em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

"Então a justiça é isso aí?" Foi assim que Bruno se manifestou ao seu advogado de defesa Lúcio Adolfo. Apesar de ter ficado bastante decepcionado, Adolfo disse que ele agradeceu e elogiou seu trabalho.

A mãe de Eliza, Sônia Moura, também não gostou da sentença. Para ela, 22 anos de prisão é pouco para o que Bruno fez. Ela criticou ainda a absolvição da ex-mulher de Bruno, Dayanne do Carmo, do crime de sequestro e cárcere privado de Bruninho. "Dayanne não é nenhuma santinha, não. Nós já estamos recorrendo das duas decisões", afirmou Sônia, para quem ainda não foi feita justiça.

A sentença chegou a ser aplaudida por parte das pessoas que estavam no plenário do Tribunal do Júri. A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues afirmou que a culpa de Bruno foi "intensa e reprovável" e que o goleiro foi o mandante de uma "trama diabólica", executada com "detalhes sórdidos e absoluta impiedade". Ela classificou Bruno como uma pessoa "fria, violenta e dissimulada", com "total subversão de valores" e que mostrou "firme disposição para a prática do homicídio". E salientou que a ocultação do cadáver foi um ato de desprezo e vilipêndio. "A supressão do corpo humano é a verdadeira violência contra a matéria", declarou.

Progressão

Regime semiaberto é uma etapa da progressão penal em que o preso é autorizado a sair da cadeia cinco vezes por ano. Ele também ganha o direito de trabalhar - dentro do presídio ou fora dele, caso não existam vagas suficientes nas oficinas da penitenciária. Com a autorização da saída para trabalho, o regime acaba equivalendo, na prática, ao aberto, modalidade na qual o preso tem apenas a obrigação de dormir na cadeia.




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