Caso Eloá: julgamento do ano começa no dia 13
Se condenado pela morte da ex-namorada e três outros crimes em 2008, Lindemberg Alves deve pegar mais de 40 anos de prisão
SÃO PAULO - Há mais de três anos o País parou para acompanhar, em tempo real, o maior cárcere privado do Estado. Durante cem horas, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, foi mantida refém, em casa, pelo ex-namorado. Saiu baleada na cabeça e na virilha e morreu no dia seguinte. Se condenado por esse e outros três crimes, a pena mínima de Lindemberg Alves, hoje com 25, passará de 40 anos. Seu julgamento começa no dia 13 e deve durar pelo menos três dias.
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Inconformado com o fim do relacionamento, o réu invadiu o apartamento 34 do bloco 24 de um conjunto habitacional de Santo André, no ABC Paulista. Eram 13h30 do dia 13 de outubro de 2008, uma segunda-feira. Dois colegas de escola da adolescente e a melhor amiga dela, Nayara Rodrigues da Silva, hoje com 18 anos, também estavam na casa e foram mantidos presos por períodos distintos. A amiga chegou a ser libertada, mas voltou a ser presa ao participar das negociações. No fim, acabou baleada no rosto durante ação policial que pôs fim ao sequestro.
Na próxima semana, essa e outras estratégias da polícia e do réu serão debatidas em um júri popular que promete não discutir a autoria do assassino de Eloá - a perícia comprovou que as balas que mataram a jovem saíram da arma do acusado -, mas a repercussão do caso na mídia até a sexta-feira 17 de outubro. De um lado, a acusação sustentará que o acusado não tinha intenção de se entregar. De outro, a defesa alegará que a invasão policial provocou a tragédia.
Na linha de frente, mas em lados opostos, estarão a promotora de Justiça Daniela Hashimoto e a advogada de defesa Ana Lúcia Assad. "Ela vai querer mudar o foco, levantar dúvidas sobre a autoria dos disparos e a atuação da polícia. Mas estou tranquila. Fatos falam por si. Lindemberg invadiu o apartamento com intenção de matar. Nunca quis negociar sua rendição", diz Daniela, que assumiu o caso em outubro.
Senhas. A batalha promete ser longa: 19 testemunhas poderão ser ouvidas pelos sete jurados que definirão se o acusado é ou não culpado. São 14 de defesa e 5 de acusação. A diferença foi permitida pela Justiça a fim de conceder ampla defesa ao réu - normalmente, são cinco de cada lado. Além dos depoimentos, gravações de TV que somam mais de 6 horas também devem comover o júri e a plateia.
Pouco antes das 9h da segunda-feira que vem, no plenário do Fórum de Santo André, 50 pessoas receberão o direito de assistir ao julgamento. Elas serão escolhidas por ordem de chegada e receberão uma senha intransferível para ter acesso ao local. O restante da plateia será formado por 30 jornalistas credenciados e cerca de 25 familiares das vítimas e do acusado.
Testemunhas de acusação serão as primeiras a ser ouvidas. O depoimento mais esperado é o de Nayara, que estava no apartamento quando a polícia invadiu e foi baleada no rosto pelo acusado durante a ação. A volta da jovem ao cárcere, dois dias depois de ser libertada, deve ser exaustivamente explorada pela defesa. Já a acusação deve usar o período em que ela foi mantida refém para ressaltar o perfil agressivo do réu.
Além da melhor amiga de Eloá, prestarão depoimentos os colegas Iago Vilela de Oliveira e Victor Lopes de Campo, mantidos reféns no primeiro dia de cárcere, o sargento da Polícia Militar Atos Valeriano, alvo do primeiro disparo efetuado pelo acusado, e o irmão mais velho da vítima, Ronickson Pimentel da Silva, hoje com 25 anos.
Já pela acusação a lista inclui jornalistas, policiais que participaram da invasão e peritos, mas nenhum familiar de Lindemberg, que até hoje não prestou depoimento à Justiça. Em todas as audiências, o réu se calou.
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