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Cinco policiais de UPP são indiciados por homicídio de jovem

Laudo complementar do IML concluiu que houve 'asfixia mecânica' após perseguição em Manguinhos, zona norte do Rio; PMs tiveram prisão temporária decretada

02 de dezembro de 2013 | 10h 58
Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

RIO - Cinco policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, na zona norte do Rio, foram indiciados por homicídio qualificado de Paulo Roberto Pinho de Menezes, de 18 anos, na madrugada de 17 de outubro, na comunidade. O laudo complementar do Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto (IML), divulgado na sexta-feira, 29, concluiu que houve "asfixia mecânica, descartando a hipótese de que a morte tenha ocorrido em decorrência das lesões verificadas na face da vítima".

Os PMs José Luciano da Costa Neto, Rodrigo da Costa Tavares, José Cardoso de Araújo Junior, João Paulo da Silva da Rocha e Jefferson Albuquerque Pinto tiveram prisão temporária decretada por 30 dias. O comando das UPPs informou que o coordenador de Polícia Pacificadora, coronel Frederico Caldas, abriu um inquérito independente daquele da 21ª DP (Bonsucesso) para investigar o caso.

Inconclusivo quanto à causa da morte, o primeiro laudo do IML apontava lesões, escoriações, infiltração de sangue nos pulmões e marcas pelo corpo de Paulo Roberto. O comandante da UPP de Manguinhos, Gabriel Toledo, chegou a afirmar que o jovem teve "um mal súbito" após uma queda. Pelo novo laudo, o adolescente morreu em decorrência de uma "tríade asfíxica", uma vez que "no exame interno foi constatada existência de petéquias nos pulmões, coração e outros órgãos, sangue fluído e escuro e congestão polivisceral".

A possibilidade de asfixia mecânica não foi descartada pela investigação, pois "algumas modalidades não deixam marcas na face e/ou no pescoço, como na sufocação direta, em que são utilizados, pelo agente, objetos macios, panos ou saco plástico para ocluir os orifícios respiratórios e no estrangulamento sem laço, no qual o agressor aplica o braço sobre o pescoço da vítima e provoca a constrição, golpe de artes marciais conhecido por 'mata-leão'".

O Estado revelou que o comandante da UPP, Gabriel Toledo, acompanhou a médica de plantão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Manguinhos que constatou a morte de Paulo Roberto. A mãe, Fátima Menezes, não pôde entrar na unidade. "A hora mais provável do homicídio é dentro da UPA. Então ele passa a ser suspeito", afirmou o advogado da família, Luiz Peixoto.

Próximos passos. Segundo o delegado titular da 21ª DP, José Pedro Costa da Silva, uma reconstituição do crime será feita até 10 de dezembro para verificar a participação de cada policial e as circunstâncias da morte. Além das testemunhas oculares que já prestaram depoimento, haverá buscas por testemunhas presenciais.

De acordo com o advogado, muitas testemunhas prestarem depoimento no Ministério Público por medo de represálias. "Elas descreveram minuciosamente os agressores e as agressões e, ao contrário do que disseram os policiais, ele não estava correndo quando foi abordado."

O delegado também tenta esclarecer por que o laudo não encontrou resquícios de drogas no corpo, quando testemunhas disseram que o jovem tinha consumido "cheirinho da loló" antes de ser abordado por cerca de 20 policiais em um beco na favela. O advogado conta que moradores da comunidade chegavam a ser abordados de cinco a seis vezes por dia.

A mãe de Paulo Roberto disse que está aliviada com a prisão dos cinco acusados, mas teme pela vida dos outros oito filhos. "Os policiais passam armados na porta da minha casa e ameaçam todo mundo de morte." Ela conta que um de seus filhos, de 17 anos, deixou de ir à escola à noite. "Pedi para eles não saírem mais de noite por causa dos policiais. Os outros que estudam de dia vão para a escola normalmente. Temos que seguir a vida."

Para Peixoto, casos como o de Paulo Roberto e do pedreiro Amarildo de Souza, morto por policiais da UPP da Rocinha, em 14 de julho, são sintomáticos. "Sempre que há uma morte com envolvimento de policiais, a ficha criminal aparece para desqualificar a vítima. Os policiais dos casos são diferentes, mas é a mesma política de segurança pública, com o mesmo treinamento para todos. Isso precisa ser revisto." Paulo Roberto tinha passagens pela polícia e um mandado de busca e apreensão.






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