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Cracolândia resiste após 1 ano de operação

Foram realizadas 1.363 internações, mas ruas permanecem repletas de usuários de crack

03 de janeiro de 2013 | 10h 49
William Cardoso, de O Estado de S.Paulo

A Operação Centro Legal completa nesta quinta-feira, 3, um ano e, segundo o governo estadual, foram realizadas 1.363 internações de dependentes químicos na cracolândia, após 152.995 abordagens durante o período. As ruas da região central de São Paulo permanecem, porém, repletas de usuários, sem nenhum indicativo de que o controverso método de impor "dor e sofrimento" implementado no início de 2012 para afastar as pessoas do crack tenha surtido efeito.

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Policiais em abordagem a usuários de droga na rua da cracolândia - José Patrício/AE
José Patrício/AE
Policiais em abordagem a usuários de droga na rua da cracolândia

Ponto inicial da operação que colocou dependentes químicos para caminhar sem destino pelo centro, empurrados pela Polícia Militar, nas "procissões do crack", a Rua Helvétia tinha ontem cerca de 150 usuários reunidos no "fluxo", como é chamado o aglomerado humano onde se compra, se vende e se consome a droga indiscriminadamente. Havia bases móveis da PM e policiais nas proximidades.

Quem trabalha na cracolândia não viu mudança significativa, desde o início da operação. "Eles só mudam de lugar, mas sempre entre a Avenida Rio Branco e a Estação Júlio Prestes. Estão sempre por aqui", afirmou o supervisor de loja Marcelo Carneiro, de 41 anos.

Para o frentista Juarez Ribeiro da Silva, de 43 anos, pouca coisa mudou. "Antes, eles circulavam mais. Agora, ficam nos cantos. É estranho o ano inteiro, mas é na véspera de Natal e de ano-novo que a gente fica mais triste de ver esse pessoal vivendo desse jeito, sem família, nem nada."

Justiça. A operação terminou também em ação na Justiça, com o Ministério Público Estadual pedindo aos governo paulista R$ 40 milhões de indenização por danos morais coletivos. Segundo a ação, os usuários foram alvo de bombas, pancadas, cachorros e das caminhadas forçadas.

O governo recorreu da liminar concedida pela 7.ª Vara da Fazenda Pública, sem sucesso. Em dezembro, o Tribunal de Justiça voltou a negar efeito suspensivo da liminar. A expectativa agora é que as partes sejam chamadas para uma audiência.

Polícia. Mesmo no âmbito policial, os resultados foram pouco expressivos. Segundo o governo estadual, foram apreendidos 100 quilos de drogas na cracolândia (um terço de crack), pouco se comparado com o que é recolhido em operações policiais realizadas nas estradas. Foram realizadas 763 prisões em flagrante e 211 condenados pela Justiça foram capturados - em toda a capital, são realizadas, em média, cerca de 30 mil prisões em flagrante por ano.

Resposta. A Secretaria de Estado de Justiça, que coordena as ações na cracolândia, afirmou que a Operação Centro Legal "tem sido positiva e que a atuação naquela área vai persistir".

"Os números comprovam o avanço do combate ao drama do uso de droga a céu aberto", disse, em nota. Sobre a ação da PM, afirmou que os policiais vão "continuar combatendo com vigor o tráfico e o consumo de drogas não apenas na região central, mas em todo o Estado de São Paulo."

A secretaria afirmou que ação civil pública sobre a cracolândia é uma entre muitas que o Ministério Público ajuíza diariamente e que não vai se manifestar porque corre em segredo de Justiça.

Como exemplo bem-sucedido de tratamento de dependentes, o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia, citou ontem uma parceria com a Missão Belém, da Igreja Católica, estabelecida ao custo de R$ 4 milhões por ano. "Já foram retiradas mais de 270 pessoas das ruas em um mês de atuação", afirmou.





Tópicos: Cracolândia, Crack, Drogas

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