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Defesa de acusada de planejar morte de pai entra com recurso para anular pena

Érika Passarelli, condenada a 17 anos de prisão, teria assassinado Mário José Teixeira Filho para receber apólices de seguro que o pai havia feito, em valor total de R$ 1,2 milhão

11 de fevereiro de 2014 | 19h 41
Marcelo Portela - O Estado de S. Paulo

BELO HORIZONTE - A defesa da ex-estudante Érika Passarelli Vicentini Teixeira entrou com recursos para tentar anular a pena de 17 anos de prisão a que ela foi condenada nessa segunda-feira, 11, acusada de ter planejado o assassinato do próprio pai, Mário José Teixeira Filho, ocorrido em agosto de 2010. O júri popular encarregado de julgar Érika em Itabirito, na região central de Minas, acatou a tese do Ministério Público Estadual (MPE), de que a então estudante elaborou a morte para receber apólices de seguro que o pai havia feito, em um valor total de R$ 1,2 milhão.

O julgamento teve início na manhã de segunda-feira e a sentença foi proferida pelo juiz Antônio Francisco Gonçalves no meio da madrugada desta segunda. Ao definir a pena, o magistrado observou que a ré não é primária. Ela já foi acusada de crimes como estelionato e furto. Com relação ao assassinato de Mário José, ainda serão julgados o ex-namorado de Érika, Paulo Ricardo de Oliveira Ferraz, de 19, e o pai dele, o ex-cabo da Polícia Militar Santos das Graças Alves Ferraz, de 50, acusados de terem executado a vítima. Eles tiveram o processo desmembrado e chegaram a ser presos, mas aguardam julgamento, ainda sem data marcada, em liberdade.

Julgamento. Durante o julgamento, a ex-estudante negou que tenha participado da morte do pai. Ela negou ter qualquer envolvimento com o crime e disse que não precisava do dinheiro das apólices de seguro, porque recebia cerca de R$ 18 mil por mês quando o pai foi morto. Segundo a denúncia, porém, ela havia planejado com o próprio pai, que era acusado de estelionato, de tentar dar um golpe nas seguradoras apresentando outro corpo como se fosse o de Mário José. Ainda de acordo com a investigação policial e o MPE, Érika se aliou ao namorado e ao sogro após o pai desistir do golpe.

Na sessão encerrada nesta segunda, a garota não respondeu a nenhuma pergunta feita pelo promotor Cristian Lúcio da Silva, encarregado da acusação no plenário. Ele dispensou as testemunhas de acusação e durante o julgamento foram ouvidas apenas três testemunhas de defesa - o corretor de seguros Marcelo de Almeida, um amigo da família, Carlos Manoel Rosa, e o médico Fernando Drummond Teixeira, padrasto de Érika -, além da própria acusada. Teixeira chegou a dizer que a então estudante passou a receber ameaças após o assassinato do pai e está em depressão por causa da morte.

O advogado da acusada, Fernando Magalhães, afirmou que a investigação foi "mal feita" e seguiu o caminho "mais fácil". Para ele, Érika foi "escolhida" como suspeita apenas porque era beneficiária dos seguros. Foi a garota quem acionou o corretor responsável pelas apólices. Em seu recursos, Magalhães tenta anular a sessão do tribunal do júri e conseguir novo julgamento para a cliente que, segundo ele, "é inocente".




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