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Drogas são vendidas até na fila de teatro em área nobre de São Paulo

Traficantes continuavam a oferecer cocaína, ecstasy e LSD nas calçadas das Ruas Peixoto Gomide e Augusta na madrugada deste domingo; centenas de jovens lotavam o quarteirão

16 de fevereiro de 2014 | 19h 47
Diego Zanchetta - O Estado de S. Paulo

São Paulo - Quatro horas após o portal estadão.com.br revelar a feira de drogas feita por traficantes em plena região da Avenida Paulista, em área nobre de São Paulo, a venda de cocaína, ecstasy e LSD voltou a se repetir nas calçadas da Rua Peixoto Gomide, com o consumo feito no próprio local.

Flagrado no sábado, traficante continuava a vender drogas no domingo - Màrcio Fernandes/Estadão
Màrcio Fernandes/Estadão
Flagrado no sábado, traficante continuava a vender drogas no domingo

Por volta das 3 horas deste domingo, centenas de jovens lotavam o quarteirão da via entre as Ruas Augusta e Frei Caneca, a maior parte adolescentes que não podem entrar nas baladas da região para maiores de idade. Com o trânsito parado, traficantes ofereciam pinos de cocaína em promoção. "Leva 6 por 60, esse é ‘du louco’ mesmo", oferecia um jovem de moletom branco que circulava entre os carros - o mesmo flagrado no último sábado pela reportagem do Estado.

Mesmo com chuva, os traficantes começaram a ocupar a calçada por volta das 22 horas de sábado. Alguns vendedores de chicletes se abasteciam de pinos de cocaína e de cartelas de LSD com os líderes dos vendedores de drogas da rua, e saíam para vender ao longo da Rua Augusta, que estava completamente lotada.

Além de festa reggae na Praça Roosevelt e do desfile de um bloco de carnaval que levou cerca de 2 mil pessoas para a parte do Minhocão fechada à noite, baladas como a Outs e o Purgatorium estavam lotadas. Os vendedores de drogas ofereciam cocaína até para casais que estavam na fila para assistir shows de stand up no Teatro Comedians.

"Tenho Halls, Trident e tenho o que mais você quiser. Cocaína, cigarrinho de haxixe já bolado, quem quer", gritava um dos vendedores de bala ao lado da fila que se formava para ver os shows de stand up por volta das 22 horas. Na saída das apresentações, por volta da 23h30 (no novo horário), um vendedor de chiclete voltou a oferecer pinos de cocaína por R$ 20 para quem deixava o teatro.

Na Rua Peixoto Gomide, a procura pelos traficantes varou a madrugada. Em alguns momentos, com o trânsito parado, jovens desciam do carro para comprar os pinos de pó e voltavam para o veículo. Entre 21h50 e 4 horas, nenhum carro da PM revistou ou abordou os traficantes que gritavam para oferecer ecstasy, cartelas de LSD, lança-perfume e gotas de GHB (anestésico usado como estimulante sexual), servidas em tubo de adoçante, direto na boca do usuário. Uma base móvel da PM passou pela Peixoto Gomide, por volta de 1h30, mas ninguém chegou a inibir o tráfico.

Venda. Dentro da conveniência do posto na esquina das Ruas Augusta e Peixoto Gomide, 20 pessoas faziam fila no caixa para pagar pela droga. Como mostrou o Estado neste domingo, quem não tem dinheiro vivo na alta madrugada pode pagar pinos de cocaína e de ecstasy no caixa da conveniência. Procurada pela reportagem, a gerência do posto não se manifestou até às 20h30 de domingo.

Os traficantes que abordam os jovens nas portas de baladas também oferecem a possibilidade de o usuário ir pagar no posto. "Se você quiser vamos lá agora, é bem rápido", disse um vendedor de chicletes que oferecia pinos de cocaína.






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