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Haddad é peça-chave em projeto político de curto prazo do PT

31 de dezembro de 2012 | 21h 38
Conrado Corsalette

Fernando Haddad inicia agora seu mandato com uma responsabilidade política que vai além de concluir os quatro anos de governo como bom administrador da cidade. As características de sua eleição, marcada pela forte influência de um padrinho de peso nacional e pela necessidade de renovação de um partido avariado pelo mensalão, redobram a pressão sobre o prefeito petista.
 
Não é segredo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva projetou a vitória em solo paulistano como o primeiro passo do PT para conquistar o governo do Estado, comandado há 18 anos por seu principal oponente, o PSDB. A cobrança interna do partido por resultados que já possam ser usados nas eleições de daqui a dois anos, portanto, tende a crescer tão logo o regozijo pelo sucesso nas urnas de mais um “poste” de Lula se dissipe.

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Haddad inicia o mandato com uma responsabilidade que vai além de concluir os quatro anos de governo - Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE
Haddad inicia o mandato com uma responsabilidade que vai além de concluir os quatro anos de governo


A mão pesada do governo federal será essencial para que Haddad tenha o que mostrar a curto prazo. Parcerias de todo gênero, renegociação da dívida “impagável” com a União a fim de liberar recursos para investimentos e utilização de marcas de programas nacionais são alguns dos trunfos aos quais o prefeito poderá recorrer com a ajuda da presidente e correligionária Dilma Rousseff. O prefeito também já indica que recorrerá a parcerias privadas para fazer a máquina funcionar depressa.


Afinal, o chamado Arco do Futuro, que promete mudar a cara do município e a lógica do seu desenvolvimento, depende de grandes obras viárias e de intervenções urbanas que o próprio Haddad sabe que só serão visíveis, se de fato concretizadas, no finalzinho de 2016, último ano de seu mandato.


Resta à caneta do prefeito, de imediato, dar vida a duas outras promessas exploradas à exaustão durante a campanha de outubro: acabar com a taxa da inspeção veicular - num caminho inverso ao da ex-prefeita petista Marta Suplicy, que criou a taxa do lixo - e colocar em pé o Bilhete Único Mensal, programa de transportes em ônibus que dará direito ao paulistano de viajar quantas vezes quiser no período de 30 dias pagando um preço fixo.


Em seu discurso logo após as eleições, Haddad afirmou que sua meta como administrador é derrubar “o muro que separa a cidade pobre da cidade rica”. Ou seja, o petista deixou claro que sua prioridade é melhorar a vida na periferia.


Eleitoralmente, são nessas localidades, como Capão Redondo, no extremo sul, e Cidade Tiradentes, no extremo leste, em que o PT costuma obter seus melhores desempenhos nas urnas. Já nas regiões centrais da cidade, os candidatos do partido, seja à Presidência da República, ao governo do Estado ou à Prefeitura, costumam amargar derrotas para os concorrentes do PSDB.


O “muro” que separa ricos e pobres na cidade separa historicamente, portanto, eleitores petistas e tucanos. Para vencer a eleição de outubro, Haddad conseguiu rompê-lo em sete áreas que costumavam ser cativas dos adversários políticos. Na Prefeitura, será instado a tomar medidas que agradem também à classe média, para ajudar a ampliar a penetração de seu partido na “parte rica da cidade”. O cronograma administrativo do prefeito caminhará, assim, lado a lado com a agenda eleitoral de um projeto de poder mais amplo.


Não se trata de um modo de fazer política exclusivo dos petistas. Dessa maneira trabalham todas as legendas brasileiras. Mas só Haddad tem São Paulo pela frente. Uma cidade que costuma eclipsar, quando não enterrar, as carreiras públicas de seus ex-administradores.






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