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Hidrantes não estariam funcionando

Bombeiros enfrentaram outras dificuldades, como poucas rotas de acesso ao auditório

29 de novembro de 2013 | 23h 46
BRUNO PAES MANSO, BRUNO RIBEIRO, DIEGO ZANCHETTA e PAULO SALDAÑA

Bombeiros enfrentaram dificuldades atípicas para combater as chamas durante o incêndio desta secta-feira no auditório do Memorial da América Latina, na zona oeste de São Paulo. O Estado testemunhou um bombeiro em discussão com um brigadista da equipe do complexo questionando por que os hidrantes do prédio não funcionavam.

"Eu quero que você me chame o responsável pelos hidrantes agora! Isso não é brincadeira!", afirmou o bombeiro, que naquele momento estava sem roupa especial de combate às chamas e auxiliava os colegas que manuseavam equipamentos em uma das viaturas.

O brigadista, sem saber como operar os hidrantes, foi buscar auxílio no interior do complexo. Os bombeiros tiveram, porém, de usar os caminhões-pipa da própria corporação para obter a água que combateu o fogo desta sexta.

Houve relatos entre os bombeiros de que, antes daquele momento, os brigadistas também teriam usado um extintor de incêndio de água em uma lâmpada em chamas, no interior da Ala B do Auditório Simon Bolívar, o que não é recomendado.

O diretor-presidente do Memorial, João Batista de Andrade, negou que os brigadistas tivessem atuado. "Eles viram que não tinham condição de controlar o fogo e chamaram os bombeiros", disse. Andrade negou também que os hidrantes não estivessem funcionando.

O coronel Erik Cola, do Corpo de Bombeiros, no entanto, confirmou que os brigadistas trabalharam para conter as chamas no início do incêndio.

Com poucas rotas de acesso ao interior do auditório, os bombeiros tiveram de usar machados para criar acessos, quebrando os vidros laterais do prédio – muitos deles já haviam sido estilhaçados pelo calor das labaredas de dentro do edifício.

Flash over. Além das dificuldades operacionais e falha de equipamentos, os bombeiros enfrentaram um fenômeno químico que os pegou de surpresa e foi apontado como a principal causa para tantos integrantes da corporação ficarem feridos durante o combate ao fogo no Memorial.

"Além de ser um ambiente fechado, com pouca luminosidade, pouco oxigênio e muito material de incêndio, que resultou em gases inflamáveis e em alta temperatura, tivemos a infelicidade de os bombeiros se depararem repentinamente com um flash over", disse o major do Corpo de Bombeiros Mauro Lopes, um dos comandantes da operação.

"Flash over é quando você tem um ambiente pegando fogo e quando você tem pouco oxigênio, com calor e carga para se queimar. A queima é lenta. Quando você faz a abertura desse ambiente e o esfria, os vapores quentes encontram o ambiente frio e ocorre o flash over, que é a injeção de oxigênio. As chamas aumentam muito. Aí ocorre uma ‘queima ideal’. Foi o que aconteceu. Os danos foram extensos", afirmou.

Ferimentos. Ao todo, 109 bombeiros atuaram nesta sexta-feira no combate às chamas. Os dois feridos com gravidade tiveram queimaduras nas vias respiratórias. Após um primeiro atendimento feito pelos próprios colegas, ao lado do prédio em chamas, eles foram levados para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas. A assessoria do HC não foi localizada às 22h desta sexta para dar informações sobre o estado de saúde deles – a informação da corporação era a de que eles não corriam risco de vida.

Os outros 14 feridos, que também foram levados para o HC, tiveram intoxicação.

Durante a passagem pelo local do incêndio, no começo da noite de sexta, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) destacou a bravura dos bombeiros, principalmente dos feridos.






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