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Interditada, balada era 'verdadeira bomba', segundo Corpo de Bombeiros

Duas casas denunciados por leitores do Estadão foram interditadas: o Tebas e o Iguana Café

02 de fevereiro de 2013 | 18h 04
Angela Lacerda, especial

RECIFE - Inaugurada no final de 2011, a Roof Tebas logo virou ponto de festas alternativas, frequentada por gente jovem e descolada. Com capacidade para cerca de 700 pessoas, ocupava os dois últimos andares e a laje do Edifício Tebas, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, centro do Recife. Proporcionava uma bela vista da cidade, mas não oferecia a menor segurança para os clientes. Foi interditada na quinta-feira (31) pela prefeitura e Corpo de Bombeiros e não deverá reabrir.

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"A casa não tem condição de voltar a funcionar", antecipou o comandante do Corpo de Bombeiros de Pernambuco, coronel Carlos Eduardo Casa Nova. "O local era uma verdadeira bomba". Na sua avaliação, ainda pior que as condições da boate Kiss, palco da tragédia que comoveu o País, com a morte de 235 pessoas. "A Kiss é no térreo, o Tebas no alto de um edifício antigo e sem a menor estrutura", afirmou. "Se houvesse qualquer princípio de incêndio, todos ficariam presos". Para piorar o quadro, no sétimo andar, ao lado da entrada da casa noturna, funciona uma pequena fábrica de sombrinhas e guarda-chuva, com farto material inflamável - plástico, papelão, madeira - e rede elétrica precária. A fábrica, irregular, também foi interditada.

Com mais de 50 anos, de uso comercial, o edifício Tebas possui dois elevadores, mas somente um em funcionamento, com ascensorista (a porta é fechada e aberta manualmente) e capacidade para sete pessoas. A escada, estreita, tinha acesso fechado à noite. Dispunha somente de dois extintores de incêndio. Sem alvará de funcionamento, precisaria, de acordo com o Corpo de Bombeiros, de duas escadas de emergência, mais largas e com iluminação, sinalização, corrimão e degraus antiderrapantes, mais um elevador de emergência, nova rede de hidrantes, spinklers, renovação da rede elétrica e maior número de extintores, além de regularizar a altura dos parapeitos, e providenciar portas com barra anti-pânico.

A entrada do Roof Tebas funciona no sétimo andar. O acesso para a pista de dança, no andar superior, era feito por uma escada de madeira, improvisada, estreita, sem corrimão. Esta área do oitavo andar tem varanda com tela de proteção. Para se para chegar à laje e desfrutar da vista, era preciso subir uma outra escada, pequena, de alvenaria. Na laje, havia parapeitos. Funcionários não permitiam que ninguém ali se sentasse ou debruçasse.

"A gente sempre comentava que se houvesse um incêndio ali, estaríamos todos ferrados", afirmou R.C., 23 anos, estudante, que frequentava o Tebas e pediu para não ser identificado. Segundo ele, uma vez, uma amiga que o acompanhava passou mal e precisou de socorro. "Demorou uma eternidade até que ela fosse atendida, tudo foi difícil, desde descer a escada precária até o sétimo andar, esperar o elevador..." Para ele, a interdição foi correta. "Era uma situação muito preocupante".

Neste caso, ele considera positiva a reação à tragédia, que tem promovido vistorias e interdições de boates e casas de entretenimento sem funcionamento adequado. Em Pernambuco, outros dois estabelecimentos foram interditados - o Iguana Café e Studio 363, no bairro de Boa Viagem, zona sul da capital - por estarem sem alvará e outras quatro foram notificadas. Tanto o Roof Tebas como o Iguana Café foram denunciados por leitores do Estadão como locais inseguros.

A meta dos bombeiros é fiscalizar todas as casas em funcionamento - não somente na região metropolitana, mas em cidades de maior porte no interior do Estado. "É um trabalho para ser desenvolvido durante o ano inteiro e para isso, vamos atender também às denúncias recebidas da população", afirmou o coronel Casa Nova. "Estamos fazendo o dever de casa".

A tarefa só será retomada depois do carnaval. Neste período a prioridade é com os clubes, camarotes, arquibancadas e áreas palco da folia.




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