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Juiz corta transmissão de júri após bate-boca

Discussão no julgamento de Mizael envolveu defensor e irmão de Mércia Nakashima

11 de março de 2013 | 22h 25
William Cardoso, com colaboração de Mônica Reolom

O júri do ex-PM Mizael Bispo de Souza, acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima, em maio de 2010, teve briga, choro e até imagens censuradas: diante das câmeras em uma sala do Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. Como em um reality show, no primeiro tribunal do júri transmitido ao vivo no País, coube ao juiz dirigir câmeras - e cortar a imagem, quando achou necessário. Entre os depoimentos, destacou-se o irmão de Mércia, Márcio, que buscou defender a "honra" da irmã.

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Mizael (dir.) recebe orientação do advogado Ivon Ribeiro - Werther Santana/AE
Werther Santana/AE
Mizael (dir.) recebe orientação do advogado Ivon Ribeiro

Apesar do clima de "big brother", nem tudo atravessou as paredes do tribunal. Uma testemunha pediu para não ter a imagem divulgada e outra não quis nem que sua voz aparecesse. Em outro momento, após um bate-boca entre o irmão da vítima e primeira testemunha do dia, Márcio Nakashima, e um dos advogados de Mizael, Ivon Ribeiro, as imagens deixaram de ser divulgadas por determinação do juiz Leandro Bittencourt Cano.

Os três advogados de defesa, no caso, adotaram posturas diferentes em sua estratégia para tentar desconstruir a tese do irmão da vítima, que aponta Souza como autor do crime. Samir Haddad Júnior tentou demonstrar simpatia, Wagner Aparecido Garcia fez questionamentos técnicos, e Ribeiro foi mais incisivo, explorando contradições.

Três testemunhas de acusação prestaram depoimento nesta segunda-feira, mas sem a presença do réu. Nesta terça, devem ser ouvidas outras duas: o delegado Antonio Assunção de Olim, que comandou as investigações, e o advogado Arles Gonçalves Junior, que acompanhou os depoimentos do vigia Evandro Bezerra da Silva, apontado como cúmplice, que diz ter sido torturado para confessar.

O irmão

Durante as quatro horas de depoimento, Márcio Nakashima chorou por nove vezes, como quando foi obrigado a lembrar do último dia em que viu a irmã com vida e ao descrever o perfil dela. Já a defesa buscou desestabilizá-lo emocionalmente para realçar as contradições para o júri - formado por cinco mulheres e dois homens.

Segunda testemunha do dia, o biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo reafirmou que a alga presente em uma lâmina entregue a ele, retirada do sapato de Souza, é encontrada na represa de Nazaré Paulista, onde o carro com o corpo de Mércia foi jogado. Já o engenheiro Eduardo Amato Tolezani (Poli-USP) fez uma explanação técnica, sobre por onde Mizael passou com seu carro e celular no dia do crime.

Reações

Marcio Thomaz Bastos
Ex-ministro da Justiça
"Acho interessante (a transmissão ao vivo) porque aproxima a Justiça do povo. Mas tem de haver cuidado."

Alberto Zacharias Toron Criminalista
"Pode ser o prenúncio de julgamentos em tempo real. Se o advogado não se intimida, nem o promotor, acho positivo."

Leopoldo S. Louveira
Advogado criminalista
"Vejo com cautela. É positivo a sociedade poder ver, mas pode haver pressão sobre os jurados e descambar para pão e circo."

Braz Martins Neto
Da OAB-SP
"É positivo porque é pedagógico. Por outro lado, a atuação do Judiciário não deve ser divulgada como espetáculo."






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