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Mãe de menina atropelada por jet ski presta depoimento

Menina de 3 anos foi enterrada no Cemitério Municipal de Artur Nogueira, cidade onde vivia

20 de fevereiro de 2012 | 14h 12
Tatiana Fávaro

CAMPINAS - A auxiliar de panificação Cirleide Rodrigues de Lames, de 24 anos, e o caminhoneiro Gilson Almeida da Silva, de 33 anos, enterraram às 10 horas desta segunda-feira, 20, o corpo da filha única, Grazielly Almeida Lames, de 3 anos, que foi atropelada por um jet ski no fim da tarde deste sábado em Bertioga, litoral Sul de São Paulo.

O casal deixou o Cemitério Municipal de Artur Nogueira, Região Metropolitana de Campinas, no interior de São Paulo, e foi para a casa de parentes, pedindo justiça. "Acabei de enterrar minha menininha, quem sabe o que é isso? Espero que seja feita justiça e minha filha seja um anjo que impeça de acontecer isso com outras crianças", disse a mãe, desolada. Cirleide disse que não dorme nem come direito desde o dia do acidente. "Não consigo fechar os olhos. Nada passa na garganta. É uma dor que não desejo para ninguém."

Ela e a filha estavam saindo do mar por volta de 17 horas do sábado, quando um jet ski pilotado por um menor de idade, segundo testemunhas, atingiu a criança. Era o primeiro dia de Grazielly em uma praia.

"Ela ficou ansiosa durante semanas, perguntava onde era a praia, como era. Saímos de Artur Nogueira na sexta, chegamos tarde na casa alugada em Bertioga. No dia seguinte bem cedinho ela acordou e me pediu para ir ver o mar. Fomos e, como ela era muito branquinha, voltei pra casa e, mais tarde, levei-a de novo até a praia", conta Cirleide. "Estávamos no mar e ela me pediu: mamãe, vamos fazer um castelinho de areia? Então estávamos saindo, indo pra areia. Estava feliz, realizada, alegre. Conhecer o mar era um sonho dela. O outro era ser bailarina, mas esse ela não vai poder realizar", disse a mãe, chorando.

Cirleide contou não ter escutado barulho, nem ter visto o jet ski se aproximar. "Não vi nada, de repente apareceu o jet ski na minha frente, só consegui sentir aquele vento e ver minha filha jogada longe. O menino pulou do jet ski, eu só pensei em socorrer minha menininha", disse.

Testemunhas deixaram a praia atrás do garoto e, segundo relatos feitos à polícia, viram o adolescente ir para uma casa em um condomínio de luxo, de onde teria saído de carro com parentes. "Se eu pudesse dizer algo à mãe desse garoto, eu diria para ela se colocar no meu lugar. Eu nunca mais vou poder estar com a minha filhinha. Não quero isso para ela. Só gostaria que ela tentasse imaginar o filho dela no lugar da minha menininha, acontecer o que aconteceu por causa de uma irresponsabilidade", afirmou. "O que eu posso querer? Eu queria minha filha de volta, mas como isso é impossível, só posso pedir justiça. Como pais deixam um instrumento como um jet ski na mão de uma outra criança?"

Segundo Cirleide, Grazielly era uma menina muito alegre e chamava a atenção pelo jeito carinhoso. "Ela era a única netinha, a única sobrinha dos meus irmãos. Minha família é muito simples, sabe, e a gente foi para a praia porque meu irmão deu isso de presente a ela. Ela era tão querida que ligava para o meu irmão para falar da viagem, uma semana antes", afirmou. "Vai deixar uma saudade enorme, é inexplicável o que eu estou sentindo."






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