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Manifestantes com métodos violentos repetem práticas da ditadura militar, afirma Maria do Rosário

Para ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, violência compromete a democracia e destrói a noção de ética e dignidade

11 de fevereiro de 2014 | 21h 47
O Estado de S. Paulo

RIO - Em discurso no auditório que abriga a Comissão Estadual da Verdade do Rio, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, afirmou nesta terça-feira, 11, que manifestantes com métodos violentos repetem práticas da ditadura militar, ao comentar a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade, atingido na cabeça por um rojão lançado durante manifestação no Rio. "Nós, democratas e defensores dos direitos humanos, não podemos aceitar que as práticas da ditadura sejam utilizadas por quem quer que seja e que participe, em nome do que quiser, de qualquer ato que se apresente como manifestação", disse a ministra.

Para Maria do Rosário, derrotar a ditadura "significa também derrotar suas práticas onde quer que elas ocorram, pelas polícias, pelo Estado, quando as desocupações ocorrem, quando os índios são massacrados, quando os negros sofrem, quando as pessoas pobres sofrem e quando um trabalhador é morto de forma embrutecida e absurda como vivenciamos agora, quando era tão mais simples que esses moços na ruas pudessem usar um megafone para dizer o que pensavam e serem ouvidos". "Que não se abra mão da palavra em nome da violência jamais, porque isso compromete a democracia e destrói a noção de ética, dignidade e direitos humanos que nós temos que construir no Brasil. Muito obrigada e me perdoem o desabafo", discursou a ministra.

Para ela, "abrir mão do uso da palavra para usar um artefato, qualquer que seja, capaz de ferir, matar ou impedir alguém, seja um jornalista, um outro manifestante ou um trabalhador da polícia é insensato, inadequado e fere a democracia".

Depois, em entrevista, Maria do Rosário classificou de "manifestação de autoritarismo" o uso de métodos violentos em protestos. Ela criticou a violência contra jornalistas, lembrando que "os primeiros atacados pelas ditaduras são os comunicadores". Segundo Maria do Rosário, será criado nos próximos meses um fórum para acompanhar violações contra jornalistas no País – na segunda-feira, será apresentado relatório sobre 77 casos ocorridos nos últimos cinco anos.






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