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Manifestantes liberam BR-101 no Rio após dia de protesto

Cerca de 200 se reuniram na altura do km 76 contra emenda que modifica divisão dos royalties do petróleo

11 de março de 2010 | 19h 24
Alexandre Rodrigues - O Estado de S. Paulo

Com o apoio de prefeituras locais, cerca de 200 manifestantes bloquearam nesta quinta-feira, 11, as duas pistas da rodovia BR-101 na altura de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, em protesto contra a aprovação da Emenda Ibsen, que que modifica a divisão de royalties do petróleo. Pneus foram queimados no asfalto logo no início da manhã. A rodovia, principal ligação entre o Rio e o Espírito Santo, foi interditada pelos manifestantes por volta das 7h15 e só foi liberada no início da noite. Um caminhão da prefeitura de Campos foi apreendido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) transportando pneus para serem queimados no local.

Segundo PRF, ato provocou lentidão de pelo menos 30 km; Autopista fala em 6 km - Gerson Gomes/Secom/Divulgação
Gerson Gomes/Secom/Divulgação
Segundo PRF, ato provocou lentidão de pelo menos 30 km; Autopista fala em 6 km

Segundo a PRF, o protesto provocou um congestionamento de pelo menos 30 quilômetros nos dois sentidos da rodovia, principal ligação entre o Rio e Espírito Santo. Já a concessionária Autopista Fluminense estimou o reflexo em seis quilômetros. O local escolhido pelos manifestantes tornou inviável qualquer tentativa de desvio do fluxo. A queima de barricadas sob um viaduto novo que faz parte das obras do Porto do Açu chamuscou a estrutura.

O inspetor Maurício Sarmet, chefe da delegacia local da PRF (10º DPRF), contou que manifestantes estacionaram um outro caminhão repleto de lenha sobre o viaduto e despejaram a carga na fogueira. "Sempre evitamos o uso da força e esperamos resolver na negociação. Porém está muito difícil porque ninguém se apresenta como líder para negociar", contou Sarmet.

A PRF recebeu denúncias de que funcionários públicos foram recrutados nas prefeituras de Campos, Macaé e Quissamã para o protesto. À tarde, funcionários da prefeitura de Campos distribuíram quentinhas e armaram tendas para os manifestantes, que usam um trio elétrico para os discursos de simpatizantes e políticos da região. Entre os que discursaram estava a prefeita de Campos, a ex-governadora Rosinha Garotinho, que admitiu usar recursos da prefeitura para apoiar a ação. Como estava no Rio, ela chegou ao local de helicóptero.

"É tudo verba pública e eu estou lutando por verba pública. Se tiver que ser usado (recurso público), vai ser usado. É uma questão de sobrevivência", disse Rosinha ao Estado. "Se perdermos esse recursos, vou parar todas as obras, fechar creche, hospital, escola. Vamos simplesmente apagar a luz." Segundo a prefeita, os manifestantes estavam dispostos a passar a noite na rodovia.

Rosinha, que lidera a Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro, disse que a decisão de fechar a via foi tomada por um colegiado formado por empresários e prefeitos de cidades vizinhas, que também perderão recursos com a emenda, e que o movimento é "da sociedade civil". Com a maior arrecadação de royalties, Campos tem 68% de sua receita anual de R$ 1,25 bilhão no petróleo. "Não decido nada sozinha. Todo mundo apoia porque todo mundo perde. O efeito será em cascata para o comércio da região", afirmou.

"Se confirmarmos o envolvimento de políticos nesse movimento, isso não me surpreenderá. Não é o que se espera, mas já tivemos outros episódios aqui envolvendo autoridades, infelizmente. Na verdade estão criando um problema para todos e não me parece que essa falta de sensatez vai resolver o problema gerado, mas não me cabe fazer juízo de valor", desabafou o inspetor Sarmet.

Sobre os transtornos, Rosinha afirmou que nada prejudica mais a região do que a emenda. Ela disse que as manifestações têm a intenção de chamar a atenção do Judiciário para o caráter inconstitucional da medida, já que não acredita em rejeição do Senado. Segundo Rosinha, uma nova manifestação está sendo planejada para o Centro do Rio na semana que vem e os articuladores do movimento viabilizarão o envio de manifestantes do interior para a capital.



Tópicos: Rio

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