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Médico que faltou a plantão é indiciado

Menina de 10 anos esperou 8 horas para ser operada após ser atingida por bala perdida

08 de janeiro de 2013 | 19h 21
Fábio Grellet

RIO - O médico neurocirurgião Adão Crespo Gonçalves foi indiciado pela Polícia Civil do Rio por omissão de socorro. Ele faltou ao plantão no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier (zona norte), na noite de 24 e madrugada de 25 de dezembro. Por volta de 0h30 do dia 25, a menina Adrielly dos Santos Vieira, de 10 anos, chegou ao hospital após ser atingida na cabeça por uma bala perdida. Devido à falta de médico, ela precisou esperar oito horas para ser atendida. Operada, Adrielly teve morte cerebral no dia 30 de dezembro. No dia 4 de janeiro seu coração deixou de funcionar e ela morreu.

Veja também:
link Morre menina baleada que esperou oito horas por atendimento no Rio
link Médico diz que faltou a plantão por discordar de escala

O delegado Luiz Archimedes, da 23ª DP (Méier), decidiu indiciar Gonçalves após interrogar o médico que chefiava a emergência do hospital na hora do episódio. Esse médico contou que era da mesma escala de Adão há dois anos, mas nunca tinha visto o neurocirurgião. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público e à Secretaria Municipal de Saúde. A pena para omissão de socorro é de um a seis meses de prisão, podendo ser triplicada em caso de morte.

À polícia Gonçalves afirmou que faltava aos plantões há mais de um mês por discordar das condições de trabalho no hospital. O médico alegou que uma resolução do Conselho Regional de Medicina determina que cada plantão tenha pelo menos dois médicos neurocirurgiões. Ele seria o único na especialidade a trabalhar na noite de 24 de dezembro, e disse ter avisado o chefe do setor de neurocirurgia do hospital sobre sua decisão de faltar. O responsável confirmou ter sido avisado, mas disse ter alertado o médico de que não havia substituto e por isso ele deveria trabalhar. Crespo foi afastado da função.

Adrielly foi atingida por um tiro quando brincava na porta de casa com a boneca que havia acabado de ganhar pelo Natal. O disparo teria partido de traficantes da Favela Urubuzinho, que comemoravam o Natal com tiros para o alto. Adrielly morava com a família entre as Favelas Urubu e Urubuzinho.



Tópicos: Bala perdida

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