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Médico que faltou a plantão na noite de Natal é demitido pela Prefeitura do Rio

Na madrugada do dia 25 de dezembro, menina de 10 anos vítima de bala perdida ficou oito horas à espera de atendimento e morreu dias depois

10 de julho de 2013 | 9h 37
Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo

RIO - A Prefeitura do Rio demitiu o neurocirurgião Adão Orlando Crespo Gonçalves, que faltou ao plantão no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, zona norte da cidade, na noite de Natal do ano passado. No início da madrugada do dia 25, Adrielly dos Santos Vieira, de 10 anos, chegou ao hospital após ter sido atingida por uma bala perdida na cabeça e teve de esperar oito horas para ser socorrida devido à falta de neurocirurgião. Operada, Adrielly teve morte cerebral no dia 30 de dezembro. Em 4 de janeiro, seu coração deixou de funcionar e ela morreu. A demissão de Gonçalves foi publicada na edição do Diário Oficial do Município dessa terça-feira, 9.

Outros sete profissionais de saúde e um funcionário administrativo do hospital também foram punidos pela prefeitura. O neurocirurgião Francisco Eduardo Penna Doutel de Andrade, que admitiu substituir Adão Crespo Gonçalves em vários plantões, foi suspenso por 30 dias. O cirurgião vascular Ênio Eduardo Lima Lopes, que chefiava a equipe de emergência no hospital na noite do Natal de 2012, foi suspenso por 15 dias.

O clínico Conrado Norberto Weber Júnior, que na época era diretor do Salgado Filho, ficará afastado por cinco dias. A cirurgiã vascular Valéria Santos Reis, então chefe da emergência da unidade, também foi punida com cinco dias de afastamento.

Também foram punidos o neurocirurgião José Renato Ludolf Paixão (suspensão de cinco dias), a otorrino Eneida Pereira dos Reis (três dias) e a agente administrativa Flávia Guerreiro Lima da Silva (20 dias).

Indiciado. O neurocirurgião Adão Crespo Gonçalves foi indiciado pela Polícia Civil do Rio pelo crime de omissão de socorro. O delegado Luiz Archimedes, da 23ª Delegacia de Polícia (Méier), decidiu indiciar Gonçalves após interrogar o neurocirurgião Francisco Doutel de Andrade, que chefiava a emergência do Salgado Filho na hora do episódio. Ele contou que era da mesma escala de Gonçalves há dois anos, mas nunca tinha visto o neurocirurgião. A pena para omissão de socorro é de um a seis meses de prisão, podendo ser triplicada em caso de morte.

À polícia Gonçalves afirmou que faltava aos plantões há mais de um mês antes do episódio por discordar das condições de trabalho no hospital. O médico alegou que uma resolução do Conselho Regional de Medicina determina que cada plantão tenha pelo menos dois médicos neurocirurgiões. Ele seria o único na especialidade a trabalhar na noite de 24 de dezembro, e disse ter avisado o chefe do setor de neurocirurgia do hospital sobre sua decisão de faltar. O responsável confirmou ter sido avisado, mas disse ter alertado o médico de que não havia substituto e por isso ele deveria trabalhar.

Adrielly foi atingida por um tiro quando brincava na porta de casa com a boneca que havia acabado de ganhar pelo Natal. O disparo teria partido de traficantes da Favela Urubuzinho, que comemoravam o Natal com tiros para o alto. Adrielly morava com a família entre as Favelas Urubu e Urubuzinho, em Pilares, na zona norte do Rio.






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