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Ministério Público espera pena em torno de 30 anos de prisão para Bruno

Promotor responsável pela acusação diz que irá recorrer caso a sentença fique muito abaixo desse patamar; após três dias, júri deve terminar nesta quinta

07 de março de 2013 | 7h 49
Aline Reskala, Especial para o Estado, e Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo - O Estado de S. Paulo

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CONTAGEM - O Ministério Público Estadual (MPE) espera conseguir uma pena em torno de 30 anos de prisão para o goleiro Bruno Fernandes pelo sequestro, assassinato e ocultação do cadáver da ex-amante Eliza Samudio e o sequestro do filho que o jogador teve com a vítima. Segundo o promotor Henry Wagner Vasconcelos, responsável pela acusação no julgamento que é realizado desde segunda-feira, 4, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, caso a pena seja muito menor que este patamar - o máximo que a lei brasileira permite que alguém fique preso -, vai recorrer.

"A Promotoria de Justiça espera que, condenado o Bruno, a pena base seja idêntica àquela fixada para Macarrão, de 20 anos. E que a partir daí, sem reconhecimento de confissão, a juíza agrave a pena pelo mando", afirmou o promotor, referindo-se a Luiz Henrique Ferreira Romão.

Em novembro, Macarrão foi julgado pelos mesmos crimes e, após confessar, foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato e a três anos em regime aberto pelo sequestro. Vasconcelos lembra que a pena para o sequestro no caso de Bruno também tem que ser maior porque "o Bruno tem aí também o agravante do sequestro contra descendente, porque Bruno Samudio era sabidamente filho dele".

O advogado de defesa do goleiro, Lúcio Adolfo da Silva, porém, vai tentar reduzir ao máximo a pena do goleiro com a estratégia de, principalmente, tentar derrubar as qualificadoras do homicídio de Eliza. Durante seu depoimento, Bruno admitiu pela primeira vez que a ex-amante foi assassinada, mas alegou que soube do crime apenas ele ter sido praticado pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, junto com Macarrão e com um primo do goleiro, Jorge Luiz Lisboa Rosa, então com 17 anos.

"O caminho que vamos usar é buscar discutir primeiramente as circunstâncias qualificadoras porque, ao invés de homicídio qualificado, teremos homicídio simples. O limite da pena é outro", observou Adolfo. "Ao invés de 12 a 30 (anos) e ser um crime hediondo, vamos tratar de um homicídio simples, que tem pena de seis a 20, mas que não é hediondo. Ele pode cumprir um sexto da pena para que tenha direito a progressão de regime", acrescentou o advogado.

Ele declarou também que espera uma redução na pena porque, na sua avaliação, Bruno confessou o crime. "Ele confessa sua participação, mas uma participação diferenciada daquela apontada na denúncia", disse. Para o MPE, porém, "não houve confissão". "A Promotoria de Justiça, por não entender que haja confissão, já tem o pé firmado de que se houver, porventura, algum benefício ao Bruno da dimensão da que foi dada ao Macarrão, recorrerá para buscar uma pena mais exacerbada. A confissão beneficia, a delação não", salientou Henry Vasconcelos, em referência ao fato de o goleiro ter apontado Bola como executor de Eliza, o que nenhum dos acusados de envolvimento no caso havia feito até então.

Coautoria. Na noite de quarta-feira, o promotor adiantou ainda que pretende denunciar o também ex-policial José Lauriano de Assis Filho. Zezé, como é conhecido, chegou a ser investigado pela Polícia Civil na apuração do desaparecimento de Eliza, mas não foi incluído no indiciamento. Agora, é alvo de uma investigação complementar junto com outro ex-integrante da Polícia Civil mineira, Gilson Costa, que tramita sob sigilo de Justiça.

Mas Vasconcelos afirmou "já decidiu que vai responsabilizar o senhor Zezé" e que as provas apuradas até agora são suficientes para denunciar o ex-policial por participação no sequestro, ocultação de cadáver "e um pouco mais". Ele que teria apresentado Bola a Macarrão, esteve no motel onde Eliza teria sido mantida assim que chegou a Minas trazida do Rio de Janeiro pelos acusados, teria se encontrado com Bola logo depois do assassinato da vítima e ainda manteve contato com o grupo quando os envolvidos tentavam esconder o bebê de Eliza no início das investigações.

Outra possibilidade é que Zezé seja denunciado também por participação no assassinato. Até o momento, as declarações dos réus à Justiça confirmaram a maior parte dos primeiros depoimentos de Jorge. Nessas oitivas, ele relatou a participação de uma pessoa na execução de Eliza que depois negou ter sido Bola.






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