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Mohammed D'Ali é condenado a 21 anos por morte de inglesa

Segundo o TJ, ele relatou em detalhes como matou, esquartejou e depois ocultou o cadáver da inglesa

14 de maio de 2009 | 23h 23
Rubens Santos, especial para O Estado de S. Paulo

Mohamed D'Ali mostrou comportamento frio durante julgamento - Reuters
Reuters
Mohamed D'Ali mostrou comportamento frio durante julgamento

O goiano Mohammed DAli Carvalho dos Santos foi condenado a 21 anos de prisão pelo assassinato da inglesa Cara Marie Burke. A sentença foi anunciada no final da noite desta quinta-feira, 14, pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, presidente do 1º Tribunal do Júri de Goiânia.

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Santos foi interrogado entre 14h55 e 16h40. Segundo o Tribunal de Justiça (TJ), ele relatou, em detalhes, como matou, esquartejou e depois ocultou o cadáver da inglesa. Isso após acertar com a inglesa que ambos voltariam a morar juntos: "Ela pediu pra voltar", disse com ar triunfante. "Mas quando chegou, pediu dinheiro emprestado, passou a me criticar por causa da droga e avisou que contaria tudo pra minha mãe".

A partir daí, decidiu matá-la: "Eu liguei o som alto para atrapalhar e quando ela foi ao telefone eu peguei a faca que estava usando para cortar o pó (na cozinha) e enfiei nela". Explicou como adquiriu a faca: "Depois (de matar) fui a um supermercado e comprei uma faca. Cortei primeiro a cabeça, depois os braços e, por fim, as pernas", disse Mohammed.

"Ele premeditou, planejou e executou o crime com frieza e brutalidade", apontou o promotor Milton Marcolino. Mas, enquanto o promotor falava, Mohamed ria como se tivesse uma crise de riso. "Mohammed é completamente imputável e não é antissocial nem psicopata", disse Marcolino.

Como foi apurado pelo Estado, em outubro do ano passado, um dia após o crime, Mohamed confirmou que após matar Cara Marie Burke tomou banho e, em seguida, colocou o corpo da inglesa no banheiro e saiu de casa em direção à festa de uma amiga. Ficou lá até as 10 horas do dia seguinte - quando esquartejou o corpo, distribuiu em cinco partes e espalhou pela cidade.

Pena

"O comportamento dele é o mesmo", disse o juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 7ª. Vara Criminal e presidente do Tribunal do Júri, após o depoimento de Mohamed e antes de abrir espaço para os debates, réplica e tréplica. "Como das outras vezes, ele apresentou o mesmo comportamento frio, tranquilo, rindo; mas depende da análise dos jurados", comentou.

Filho

O advogado do rapaz, Carlos Augusto Trajano fez um esforço para salvar e ainda construir uma melhor imagem do rapaz. "Agora ele tem filho, é chefe de família", disse o advogado, que pretende recorrer da sentença. A namorada de Mohamed, Helen de Matos Vitoy, que depôs como testemunha de defesa, confirmou que ambos têm um bebê de dois meses. Até disse acreditar que poderão viver em família. Mas sem estudar ou trabalhar, Mohammed revelou que antes do crime tinha uma profissão: ser filho. "Minha mãe mandava R$ 4 mil todo mês, de Londres".

Também revelou ser dono de uma biografia de violências desde a infância: "Eu pegava gatos na rua, amarrava o pescoço no alto do muro, fazia o cachorro alcançar o gato até o momento em que, tendo alcançado, o pit bull arrancava o pescoço do gato", contou às gargalhadas, antes de emendar: "Eu não acho nada horripilante". Também se divertiu, diante do juiz ao relatar, em inglês, o diálogo que travou com Cara Marie, sobre drogas, momentos antes de matá-la.






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