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MP do Rio investiga relação do presidente da Mangueira com o tráfico

Promotores pediram quebra do sigilo fiscal de Ivo Meirelles; polícia apura se músico pagava mesada de R$ 150 mil a traficantes com o dinheiro da escola para se manter no cargo

20 de fevereiro de 2013 | 10h 25
Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo

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Meirelles (camisa amarela), em encontro com os traficantes Biscoito (camisa preta) e Tuchinha  - Divulgação
Divulgação
Meirelles (camisa amarela), em encontro com os traficantes Biscoito (camisa preta) e Tuchinha
RIO - O Ministério Público do Rio (MP-RJ) pediu na terça-feira, 19, à Justiça a quebra do sigilo bancário do presidente da Estação Primeira de Mangueira, Ivo Rene Meirelles, no período entre abril de 2009 - um mês antes da posse dele no cargo - até dezembro de 2012. O MP também requereu as declarações de imposto de renda do músico, bem como a quebra do sigilo bancário da escola de samba. Em outubro de 2011, Ivo foi indiciado no inquérito 017/1045/2011, da 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão), pelo crime de associação para o tráfico de drogas no Morro da Mangueira, zona norte. 

O inquérito foi instaurado em março daquele ano, após a Ouvidoria do MP-RJ receber uma denúncia anônima de que Meirelles teria sido imposto na presidência da Mangueira pelos traficantes Alexander Mendes da Silva, o Polegar, que está preso, e Vinicius de Lima Pereira, o Chevette. Em troca, Meirelles pagaria R$ 150 mil mensais ao tráfico - o dinheiro seria desviado da escola de samba. 

Após o indiciamento pela Polícia Civil, o inquérito foi remetido ao MP, que requereu novas investigações. Em novembro de 2012, o MP solicitou ao juízo da 39ª Vara Criminal a quebra do sigilo fiscal de Meirelles e da Mangueira. No início deste mês, o Banco Central informou ao MP-RJ que em nome de Meirelles há 6 contas correntes. Já a escola de samba possui 54 contas.
 
Caso a Justiça concorde com a quebra do sigilo bancário de Meirelles e da escola de samba, o MP-RJ vai procurar alguma transação financeira que comprove a suposta ligação do músico com os traficantes da Mangueira. 

Em depoimento, Meirelles admitiu que conhece Polegar e seu tio Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, que já cumpriu pena pela acusação de ter chefiado o tráfico na Mangueira. O músico alegou que os conhece de infância, já que todos são nascidos e criados na favela.

Meirelles negou conhecer o traficante Lucio Mauro Carneiro dos Passos,o Biscoito, apesar de aparecer numa foto, anexada ao inquérito, bebendo cerveja com ele e Tuchinha. A foto foi publicada ontem pelo jornal "Extra". Biscoito atualmente está preso.

"Ivo não nega que conhece Tuchinha desde a infância. Naquela ocasião,eles estavam numa churrascaria, que é um local público, celebrando a saída de Tuchinha da cadeia depois de 16 anos e a sua decisão de não retornar ao tráfico. E não vão achar nada na quebra de sigilo dele: apenas a movimentação do dinheiro que ele ganha como músico", afirmou o advogado de Meirelles, Sergio Riera.

Comércio fechado. Pelo segundo dia consecutivo, o comércio no Morro da Mangueira permaneceu fechado ontem por ordem do tráfico. O luto foi imposto após o traficante Acir Ronaldo Monteiro da Silva, o 2K, ter sido assassinado, na noite de domingo, na zona oeste. Outros dois homens ligados à escola de samba foram executados na madrugada de segunda. A polícia ainda investiga se os crimes estão relacionados à eleição para a presidência da Mangueira. 

O traficante 2K foi acusado por Ivo Meirelles de ter invadido a quadra da Mangueira durante a eleição para a presidência da agremiação, em março do ano passado. O pleito foi parar na Justiça, que marcou a data da votação para o próximo dia 28 de abril. 





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