Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias > Brasil
Início do conteúdo

'Não precisamos sentar com governo', diz militante do MPL

Para Caio Martins, do Movimento Passe Livre, reivindicações já estão evidentes e falta vontade política para que sejam atendidas

13 de dezembro de 2013 | 18h 04
Celso Filho, Marcelo Osakabe e Mel Bleil Gallo

À frente dos principais protestos de São Paulo, MPL agora se volta para temas locais - Tiago Queiroz / Estadão
Tiago Queiroz / Estadão
À frente dos principais protestos de São Paulo, MPL agora se volta para temas locais

O Movimento Passe Livre (MPL) foi o estopim das marchas, que partiram de protestos contra o aumento das passagens de ônibus e depois tomaram as ruas País afora. Passado o fervor das manifestações, o MPL se volta, agora, para o fortalecimento da mobilização nas periferias de São Paulo. “Cada vez que a gente sai na rua deveria ter um processo anterior de organização”, afirma o integrante do MPL Caio Martins, de 19 anos, estudante de História. Nesta entrevista, o jovem fala sobre a experiência na construção dos atos deste ano, a atuação radical como estratégia e a relação de movimentos horizontais com o poder público. 

O que o MPL faz neste momento? 

Em São Paulo, estamos lutando contra o corte de linhas de ônibus. Está previsto um corte de quase um terço das linhas por causa do novo Bilhete Único Mensal. Os trajetos que antes eram diretos passam a ser seccionados e isso é muito ruim para a população. Você perde 20 minutos, uma hora a mais do seu dia. Enquanto para as empresas de ônibus é muito lucrativo, pois elas são remuneradas a cada passageiro que transportam. Mesmo que a gente não pague, por causa da integração do bilhete, as empresas recebem do mesmo jeito. A gente às vezes tem a impressão de que o sistema de transporte é um caos, e não é. Não é organizado em torno dos interesses da população, mas em torno dos interesses dos empresários. 

Como o movimento está depois das manifestações? 

Há um problema com essa ideia de que movimento existe somente na rua. Como se a luta só existisse neste momento. Esse é o último momento, talvez o menos importante. Cada vez que a gente sai na rua deveria ter um processo anterior de organização, de mobilização. Talvez o mais importante seja o processo de organização que você tem. 

Por que você acha que 2013 foi diferente de outros anos? 

Primeiro você tem um acúmulo de dez anos de luta, com essa cultura do protesto cada vez mais forte. No começo do ano, tivemos aumento da passagem na região metropolitana inteira e protestos em Osasco, Cotia, Taboão da Serra, Itapecerica da Serra e Mauá. Então, as condições de mobilização já estavam mais ou menos ali. 

Mas o aumento da tarifa não foi o mote em todas as cidades. 

A questão do transporte é central para a vida na cidade. Portanto, ela não é de uma categoria, ela é de todos os trabalhadores. E transversal a várias outras pautas, porque você precisa de transporte para chegar às escolas, ao hospital, ao trabalho, para procurar emprego, para visitar os amigos. 

Você afirma que as manifestações têm limites. No caso do trabalho nos subúrbios, também não tem limites? 

Você acha que é mais fácil construir algo ali do que, por exemplo, em reuniões como a que o MPL fez com a presidente Dilma Rousseff? A reunião com a Dilma tinha como único objetivo tirar uma foto. Não houve nenhuma negociação concreta ali. Saímos de lá com o sentimento de que não tínhamos conseguido nada. Nem uma posição sobre a aprovação da PEC 90 (que transforma o transporte em direito social) conseguimos. Ainda ouvimos da Dilma que tarifa zero não existe. 

Mas não é preciso dialogar com o poder público para levar essas demandas? 

Não precisamos sentar com projeto de lei que o movimento elaborou em 2011. Em Belo Horizonte, você também tem projeto. Ele é factível, viável. Existem vários estudos sobre como tirar o recurso para isso. Então, se as autoridades de fato quiserem atender a demandas do passe livre, não precisam sentar com o movimento. Não precisam perder seu tempo com isso. 

Você acha que foi a repressão que mobilizou as pessoas em solidariedade ao movimento? Ou afastou? 

Olha, é um tema muito difícil. Muita gente diz que foi a PM que fez o movimento crescer com a repressão. Esse discurso é muito perigoso, porque aqui em São Paulo todos os nossos atos são reprimidos da mesma forma desde 2006. Historicamente, as pessoas tinham medo de ir aos atos do MPL por causa dessa repressão violenta. Ela já derrotou muitas lutas aqui. Foi um dos fatores que nos levaram a seguir nosso trabalho pelos bairros. Aquele um milhão de pessoas que ia para a manifestação volta para casa depois. Mas e aí? Eles também se mobilizam nesses lugares? Acredito que a tarefa que se coloca para os movimentos é de tentar fortalecer esses processos de organização. 

E a ala radical do próprio movimento, como os black blocs? Qual impacto causou nas pessoas? 

Nós enxergamos a radicalização como um processo que se inicia desde a tomada das ruas. Fechar uma grande avenida é um ato radical. Você está travando a circulação naquele momento. Essa radicalização foi central. “Se a tarifa não baixar, a cidade vai parar.” Essa tática foi direta. Na época se falava em revolta popular, ninguém falava em black bloc. Foi que a imprensa assumiu esse nome. 

Isso chegou a um ponto que atrapalhou o movimento? 

Olha, eu não sei dizer por que as pessoas foram para a rua. Em São Paulo, houve os 20 centavos, mas também tinha gente que não estava lá por isso. Não éramos donos daquela luta, então também não iríamos cumprir o papel de polícia e dizer para as pessoas não quebrarem as coisas. De fato havia um jeito de parar aquela revolta, que era reduzir a tarifa. Talvez eles tenham demorado muito para perceber. 

Você acha que as pessoas que foram participar em junho espontaneamente vão voltar se tiver outro chamado em 2014?

Olha, não sei. De certa forma, fazemos o movimento não olhando para o que eles fazem lá em cima, mas para o que acontece aqui embaixo. Então a Copa do Mundo, as eleições – são festas deles, lá em cima. Na medida em que isso afeta o cotidiano e impõe a necessidade de resistência e organização, você vai ter resistência e organização. A Copa, em vários aspectos, coloca isso. Mas por mais que pense em uma forma sistêmica, o MPL possui objetivos específicos e uma maneira de agir em questões de transporte coletivo.






Estadão PME - Links patrocinados

Anuncie aqui

Siga o Estadão

Protesto pede autonomia para o IBGE

  • Protesto pede autonomia para o IBGE
  • Devo ou não contratar a garantia estendida?
  • Todas as informações sobre o produto têm de ser claras



Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo