Opções para conhecer (ou redescobrir) a história de São Paulo

Entre modernidades e arranha-céus, ainda há muita história na capital paulista. Quer ver?

Ítalo Reis, Estadão.com.br

24 Janeiro 2011 | 23h00

SÃO PAULO - A capital paulista completa 457 anos nesta terça-feira, 25, com uma carinha enxuta - apesar de maltratada -, entre modernidades e arranha-céus. Depois de quase cinco séculos, é de se pensar que praticamente nada de 1554 restou na metrópole, mas se você - seja paulistano da gema, de coração ou de passagem - observar de perto, nos detalhes, ainda há muita história em São Paulo. Quer ver?

 

O Estadão.com.br propõe um roteiro simples - pode ser feito a pé - para você conhecer (ou redescobrir) alguns pontos obrigatórios, que contam a história desse gigantesco centro urbano. Parte deles reserva atividades especiais para a data. Outros são apenas para serem observados.

 

linkCatedral da Sé - Marco Zero. A Catedral Metropolitana de São Paulo, ou apenas a Catedral da Sé, do jeito que é vista atualmente, no centro da capital, foi finalizada em 1967 - apesar de ter sido inaugurada ainda inacabada em 1954, para o aniversário de 400 anos da cidade. No local onde está construída foi feita a primeira igreja matriz da capital, pelos idos de 1600.

 

 

Com aproximadamente 100 metros de altura, 110 de comprimento e 46 de largura, é considerada um dos cinco maiores templos neogóticos do mundo, além de estar listada entre uma das maiores igrejas do planeta e ser a segunda do Brasil.

 

No dia 25, recebe a tradicional missa do aniversário de São Paulo, a partir das 9h. Praça da Sé, s/n - em frente à Estação Sé do Metrô.

linkPateo do Collegio. Local onde São Paulo nasceu, logo após a missa realizada pelo padre Manuel de Paiva, que fundou o Colégio de São Paulo de Piratininga, em 25 de janeiro de 1554, com auxilio dos padres Afonso Brás e José de Anchieta. Na área, foram erguidos a igreja e o colégio, primeiras construções da cidade que sofreram fortes alterações após a tomada do local pelo o então governo paulista, em 1765. O prédio só foi devolvido aos jesuítas em 1953, após o prédio desabar e ser reconstruído por volta de 1900.

 

Atualmente, abriga o Museu Anchieta, com peças de época como a pia batismal utilizadas pelos religiosos na conversão de índios, além de outras peças religiosas; a Biblioteca Pe. Antonio Vieira, com documentos históricos de jesuítas que passaram pelo Pateo; e a igreja.

 

No dia 25, um evento irá celebrar o aniversário da cidade com um ato ecumênico em frente ao Sino da Paz, a partir das 8h. Praça Pátio do Colégio, 2 - Centro (11) 3105-6898. Museu Anchieta - R$ 1, das 9h às 16h

 

linkSolar da Marquesa. Transformado numa das residências mais aristocratas do século 19, após ser adquirido por Domitília de Castro e Canto Melo, a Marquesa de Santos, o prédio teria sido construído por volta de 1740 na antiga Rua do Carmo. Depois da morte da marquesa, o edifício passou por várias mãos, entre eles a Mitra Diocesana e The São Paulo Gaz Company. Em 1975, passou a ser sede da Secretaria de Cultura do município e, após sucessivas trocas e possíveis modificações na estrutura, precisou ser fechado para restauro na década 1990.

 

Hoje, dá lugar ao Museu da Cidade de São Paulo e está fechado para reforma. A reabertura deverá ocorrer em breve. Rua Roberto Simonsen, 136 - Centro - (11) 3396-6047

 

linkMosteiro de São Bento. Área doada aos monges beneditinos por volta de 1600 pela Câmara Municipal, o local atualmente abriga o Mosteiro em si, o Colégio e Faculdade São Bento e uma biblioteca com cerca de 100 mil títulos, em grande maioria da área de Humanas, como religião, filosofia e história. Ao todo, quatro prédios já foram construídos na região - o primeiro foi uma pequena capela, por volta de 1598. O edifício atual, com projeto do arquiteto Richard Berndl, foi inaugurado em 1922.

 

Além disso, há no local a Padaria do Mosteiro, que vende diversos quitutes - de biscoitos a geleias e mel, produzidas pelos próprios monges.

 

No dia 25, haverá duas solenidades: às 7h, Missa com Canto Gregoriano; e às 17h, Vésperas Solenes com Canto Gregoriano. Largo de São Bento, s/n - Centro, próximo à Estação São Bento do Metrô - (11) 3328-8799

linkEstação da Luz. Além de abrigar a integração das estações do Metrô e CPTM, ao lado do Jardim da Luz, o local é também uma enorme estrutura com traços de arquitetura inglesa, que copiam o relógio Big Ben e a abadia de Westminster, em Londres. A estação foi ao público pela primeira vez em 1901. Tornou-se um dos principais pontos de desembarque de imigrantes na cidade, quando era conhecida por São Paulo Railway Station.

 

 

Após a Segunda Guerra Mundial, com a queda no uso de transporte ferroviário, a estação acabou degradada. Passou por uma reforma entre as décadas de 1990 e 2000 para abrigar o Museu da Língua Portuguesa.

 

Estação da Luz. Praça da Luz, 1 - Centro - 0800-55-0121. Museu da Língua Portuguesa - R$ 6, das 10h às 21h

 

linkTeatro Municipal. Inaugurado em 1911, o Teatro Municipal de São Paulo é um dos cartões-postais da cidade. As obras, tocadas pelo Escritório Técnico de Ramos de Azevedo, começaram em 1903, depois de um incêndio ter destruído o antigo Teatro São José, em 1898.

 

Com arquitetura renascentista, barroca e art déco, a construção foi inspirada no Ópera de Paris. Além das várias apresentações de companhias vindas do mundo todo, o local foi palco da Semana de Arte Moderna de 1922, em fevereiro daquele ano, quando recebeu célebres artistas como Mário de Andrade, Anita Malfatti e Di Cavalcanti.

 

Atualmente, está fechado para obras de restauração e revitalização para as comemorações do centenário de inauguração. Praça Ramos de Azevedo, s/nº - Centro, próximo à Estação Anhangabaú - (11) 3397-0300

linkLargo de São Francisco. O logradouro reúne um dos mais expressivos e antigos conjuntos da arquitetura religiosa da cidade. O edifício foi construído para abrigar o Convento de São Francisco, em 1647, que, originalmente, ficaria onde hoje é a atual Praça do Patriarca.

 

Em 1827, tornou-se a Academia de Direito, que depois seria a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Passaram pelo curso famosos como Ruy Barbosa e Jânio Quadros. Os traçados da arquitetura do prédio - que atualmente abriga, além da faculdade e do convento, a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado - é inspirado no modelo europeu da Belle Époque. Convento de São Francisco - Largo de São Francisco, nº 133 - (11) 3106-0081, das 7h30 às 20h.

linkMercado Municipal. Olhando do lado de fora, num dia tranquilo, não dá para imaginar que o Mercado Municipal Paulistano, o Mercadão, é um local de venda de alimentos. Sua estrutura, que ocupa uma área 12,6 mil m², é mais uma das construções da cidade executada por Ramos de Azevedo. À margem do Rio Tamanduateí, no centro de São Paulo, é um dos mais tradicionais pontos gourmet da cidade. Lá você pode comprar peixes para a Semana Santa, encontrar grãos, temperos e frutas frescas e provar diversos outros produtos.

 

 

Enquanto come o conhecido sanduíche de mortadela ou o pastel de bacalhau, pode-se observar os 32 painéis divididos em 72 vitrais, todos produzidos pelo artista russo Conrado Sorgenicht Filho (foram quatro anos da pesquisa a entrega dos vidros), ou a fachada sóbria projetada por Felisberto Ranzini. O prédio foi inaugurado no dia 25 de janeiro de 1933, sete anos após os início das obras.

Rua da Cantareira, 306 (próximo a Rua 25 de Março) - (11) 3228-0673, das 6h às 16h.

 

Prédios e mais prédios... Conhecida por ter milhares de edifícios, a capital tem alguns prédios que ganharam destaque por seu design, altura e beleza. Na região central, ainda vale conhecer:

 

linkEdifício Altino Arantes - Conhecido como Banespão, quando o banco ainda era proprietário do local, o prédio foi inaugurado em 1947 e, por uma década, foi o maior da cidade, com 161 metros. Atualmente, ainda é o terceiro mais alto da capital e o quarto do Brasil. A inspiração usada por Plínio Botelho do Amaral foi o Empire State Building, de Nova York. Seu mirante permite uma visão panorâmica da capital.

Rua João Brícola, 24 - Centro, próximo à Estação São Bento - (11) 3249-7180

 

linkEdifício Martinelli - Tido como o primeiro arranha-céu da América Latina e símbolo de arquitetura de época da cidade, foi inaugurado com 12 andares, em 1929, e finalizado em 1934, com 30 andares. Durante a Revolução de 1932, abrigou metralhadoras antiaéreas nos terraços mais altos para defender a capital. Na década de 1970 passou por uma reforma e, atualmente, abriga secretarias da prefeitura de São Paulo. Avenida São João, 35, Centro.

 

linkPalácio dos Correios - Mais um dos edifícios construídos pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, o prédio dos Correios passou por uma reforma de oito anos e voltou a abrigar a Agência Central da companhia em 2008. Construído em 1922, o local foi tombado pelo Conpresp em 1992.

Vale do Anhangabaú, s/n - Centro.

 

linkEdifício Matarazzo - Atual sede da Prefeitura paulistana, o prédio foi projetado pelo italiano Marcello Piacentini e tem inspiração fascista, dada a ligação do arquiteto com o Mussolini. Foi inaugurado na década de 1930. O último andar reserva um belo jardim. Viaduto do Chá, s/n - Centro, próximo à Estação Anhangabaú.

 

linkEdifício Alexandre Mackenzie - Conhecido por ter sido a sede da companhia energética Light em 1929, foi tombado em 1984. No fim da década de 1990, passou por uma reforma. Hoje, tornou-se o Shopping Light. Rua Coronel Xavier de Toledo, 23 , Centro - (11) 3154-2299

 

linkEdifício Copan - Famoso por ter uma estrutura sinuosa, foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer com a ideia original de comemorar o quarto centenário da cidade, em 1954. A inauguração, no entanto, só ocorreu mais de uma década depois, em 1966, após várias alterações no projeto original.

 

 

São 32 andares numa área de 122 mil m² e 115 metros de altura. É considerado um dos maiores construções de concreto armado na cidade. Av. Ipiranga, 200 - Centro.

 

linkEdifício Itália - O segundo maior prédio de São Paulo e do Brasil, foi inaugurado em 1965 e batizado oficialmente de Circolo Italiano. Com 46 andares, tem 165 metros de altura (151 a partir do nível da rua), idealizado para representar a ascensão dos imigrantes italianos na cidade. Tombado pelo patrimônio, o edifício abriga, no último andar, o restaurante Terraço Itália, aberto dois anos após a inauguração do prrédio. Reconhecido pelos pratos sofisticados que serve, o restaurante oferece uma privilegiada visão em 360 graus da cidade. Av. Ipiranga, 344 - Centro, próximo à Estação República - (11) 3257-5977

 

Passeio de trólebus. Para quem quiser visitar os principais locais apontados na reportagem no dia 25, a Secretaria Municipal de Transportes fará um tour especial, durante todo o dia, passando por alguns prédios históricos da cidade.

 

O roteiro, gratuito e com duração média de 40 minutos, será feito num trólebus da década de 1940.

 

O Coração da Cidade da Janela de um Trólebus

Horário: das 9h às 16h

Duração do percurso: 40 minutos

Local de saídas: Pátio do Colégio

Trajeto: Pateo do Colégio, Rua Boa Vista, Rua Líbero Badaró, Viaduto do Chá, Av. São João, Av. Ipiranga, Praça da República, Av. São Luiz, Praça Xavier de Toledo, Viaduto do Chá, Líbero Badaró, Largo São Francisco, Praça da Sé, Pateo do Collegio.

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