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Pai cria método de desconto em mesada e faz sucesso na internet

Desobediências como pular no sofá e deixar os pratos na mesa fazem parte da lista que já foi compartilhada mais de 120 mil vezes em rede social

13 de fevereiro de 2014 | 15h 19
Mariana Belley - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Mais de 120 mil pessoas já compartilharam a planilha "regras da mesada" que o juiz do trabalho Vitor Yamada criou com a intenção de educar financeiramente os filhos Giullia, de 8 anos, e Vitor, de 6. A planilha vincula o comportamento dos filhos ao recebimento da mesada, de R$ 50 por mês.

Em um post no Facebook, o pai divulgou a tabela (veja abaixo) em que faz uma lista com desobediências comuns à maioria das crianças nessa idade, como "não fazer a tarefa da escola". Nesse caso, Giullia e Vitor teriam R$ 1,00 descontado da mesada. "Pular no sofá": menos R$ 0,25. Se "deixar os pratos na mesa", o corte é de R$ 0,50. A infração mais "grave" - "desobedecer a pai ou mãe" - prevê multa de R$ 3,00 no final do mês. A publicação fez sucesso na rede social. Até sexta-feira, 7, o post tinha mais de 120 mil compartilhamentos. Entre amigos e conhecidos, teve até quem quisesse uma cópia para poder aplicar o método em casa. 

Yamada conta que a ideia surgiu quando Giullia pediu pra ganhar uma mesada. "Quando eu conversei com a minha esposa, nós quisemos agregar ensinamento à mesada e, então, resolvemos fazer a planilha como uma forma de fazer com que eles entendam, desde cedo, como 'ganhar' e 'perder' dinheiro." 

A proposta, explica Vitor, não é regular o comportamento, mas ensinar eles a terem uma educação financeira, aprenderem a lidar com o dinheiro. Quanto aos valores dos descontos, o pai afirma que foi feito de acordo com o que ele e a mulher julgam importante para o futuro dos filhos, como ir à escola. 

O método funciona? Segundo a psicóloga Fernanda Elpes, "o conceito da planilha é bom, funciona e vai 'adequar' a criança, mas o problema é que o método é mal aplicado porque você punir ao invés de reforçar as coisas positivas que a criança faz".

Fernanda afirma que a educação financeira consiste em aprender como administrar o dinheiro: o que comprar, quando comprar, o que poupar, por que poupar. "Pontuar o comportamento não ensina esses valores, mas sim quando escutamos, acolhemos o que a criança pensou em fazer com a quantia, explicamos as causas e consequências de tal decisão".

A psicóloga lembra que uma criança entre 5 e 6 anos é imediatista e ainda não tem senso crítico para avaliar se o método é bom ou não. Assim, não seria eficaz estabelecer uma poupança mensal, mas sim a curto prazo. Ela receberia o dinheiro diariamente, de acordo com os comportamentos positivos, e caberia aos pais mostrar que, se ela gastar tudo no momento em que ganhou, compraria apenas uma bala, mas, se guardar por três dias, poderia comprar um pacote.

Outro ponto destacado pela psicóloga é que é preciso lembrar que as crianças têm o direito de expressar suas vontades, serem questionadoras, expressarem suas emoções/sentimentos tais como raiva, tristeza, medo, nojo, ansiedade, alegrias. Explorar esse universo é saudável e extremamente importante para seu desenvolvimento. 

Assim, Fernanda sugere que o pai poderia fazer outro tipo de planilha: a cada comportamento adequado a criança ganha R$ 1,00. Caso não realize a ação desejada, ela não ganha, mas também não perde.





Tópicos: Educação

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