Pantanal diz que falta de grooving pode ter causado acidente
Segundo Ramiro Tojal, diretor da aérea, Infraero acreditou que julho teria poucas precipitações
Em depoimento na tarde desta terça-feira, 7, na CPI do Apagão Aéreo da Câmara, o diretor-geral da Pantanal, Ramiro Tojal, disse que a falta das "ranhuras" na pista principal do Aeroporto de Congonhas pode ter sido responsável pela derrapagem do avião da Pantanal no dia 16 de julho, véspera do acidente fatal com o Airbus da TAM. CPI começa com dados sigilosos da caixa-preta do Airbus CPI faz sessão fechada e ouve caixas-pretas Após denúncia, CPI vai convocar diretora da Anac Maiores desastres da aviação brasileira Cronologia da crise aérea Segundo ele, de 1992 para cá a empresa aérea fez entre 140 mil a 150 mil operações de decolagens e aterrissagem em Congonhas e que em nenhum momento houve derrapagem, porque a pista tinha as "ranhuras". Segundo relato de Tojal, ao liberar a pista principal de Congonhas sem as ranhuras, a Infraero disse que as precipitações pluviométricas que iam ocorrer em julho não serviam "nem para estatística" e que eram "desprezíveis". O problema, segundo Tojal, é que choveu mais do que nos últimos 10 anos. "Decidiram acreditar na baixa pluviométrica, mas esqueceram de combinar com São Pedro", afirmou. Segundo Tojal, a primeira chuva pesada foi no dia 13 de julho. Nesse dia, dois pilotos encaminharam a reclamação de que a pista estava escorregadia. Nos dias seguintes outros pilotos tornaram a fazer a mesma ocorrência. E no dia 16, a aeronave da Pantanal sofreu a derrapagem. Aquaplanagem Tojal disse também que a perícia realizada pela Goodyear nos pneus da aeronave revelou que problemas aquaplanagem foram a causa do acidente que envolveu o avião da Pantanal. Esta é a primeira vez que se tem uma informação concreta a respeito de problemas de aquaplanagem em Congonhas. Segundo Ramiro, a perícia indicou que não houve estouro do pneu, mas sim que após o pouso a aeronave deslizou e, bruscamente, virou derrapando, segundo ele, por excesso de chuva e ausência de grooving. Segundo Ramiro, o resultado da perícia já está em poder do Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNIPA). Para o deputado Vic Pires Franco (DEM-PA) a liberação da pista sem as ranhuras não deixou de ser homicídio culposo. "Longe de ser doloso, mas foi homicídio culposo". Saturação Também convocado para depor, o diretor-presidente da Pantanal, Marcos Sampaio Ferreira, afirmou que "Congonhas é um aeroporto que vinha operando tranqüilamente. Talvez por causa dos tumultos que aconteceram no último ano, o aeroporto teve uma saturação". Ferreira disse ainda que sente-se tranqüilo com as operações da companhia em Congonhas. O diretor sugeriu que uma das possíveis causas para o acidente pode ser sido a aquaplanagem, causada pela chuva intensa no momento do pouso. Segundo Ferreira, os pilotos da Pantanal nunca emitiram nenhum relatório de perigo para a empresa, apesar dos comentários que se ouviu no aeroporto. Ele relatou ainda que, de acordo com os pilotos responsáveis pela aeronave que derrapou em Congonhas, a aeronave saiu da pista após uma "bruta puxada para a esquerda". Ferreira acrescentou que durante os 14 anos e meio que a empresa opera em Congonhas, nunca houve nenhum incidente semelhante e que as aeronaves da Pantanal são adequadas para a pista do aeroporto. Ele afirmou, porém, que o grooving "faz diferença na hora do pouso". Sobre os possíveis remanejamentos de vôos de Congonhas para outros aeroportos, como Cumbica, em Guarulhos, e Viracopos, em Campinas, Ferreira disse que "se houver redução de vôos isso trará prejuízo para as companhias aéreas". Viracopos Para o diretor-presidente, o aéroporto localizado em Campinas é muito bom. "Nossa empresa eventualmente pousa em Viracopos. A pista lá é ótima." Mesmo assim ele não acredita que esse aeroporto possa ser utilizado como opção para desafogar Congonhas. "Por causa da distância entre Viracopos e São Paulo", disse. Anac Questionado sobre a relação que a Pantanal tem com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Ferreira afirmou que, apesar de não ter muito contato, "é cordial, principalmente com as equipes técnicas". "Eles são muito profissionais. Os técnicos vão até Congonhas e fiscalizam lá nossas aeronaves. Uma vez a cada dois meses essa fiscalização é feita." O diretor-presidente, porém, não soube dizer se sua companhia aérea concedeu passagens para funcionários da Anac. Sobre a crise no tráfego aéreo, sugeriu como saída a modernização dos equipamentos. "O sistema de tráfego aéreo era eficiente. Mas talvez algo tenha de ser melhorado. O sistema de controle deve ser ampliado, tem de modernizar os equipamentos." (Com reportagem de João Domingos, do Estadão) Matéria ampliada às 17h20
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