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Para promotor, jurados darão condenação 'exemplar' a Bruno

Henry Wagner Vasconcelos não considerou depoimento do ex-goleiro uma confissão, como alega a defesa; ele pedirá condenação por homicídio triplamente qualificado

07 de março de 2013 | 8h 00
Aline Reskalla, Especial para o Estado, e Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

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CONTAGEM - A participação ativa dos jurados na formulação de perguntas a Bruno em seu depoimento na noite de quarta-feira, 6, no Fórum de Contagem, é um "indicação de que haverá uma exemplar condenação do réu", disse o promotor Henry Wagner Vasconcelos. Para o promotor, não houve confissão, como sustentam os defensores do goleiro. O júri popular que irá condenar ou absolver Bruno chega ao quarto e possivelmente último dia nesta quinta, 7.

"Bruno não confessou, não há sequer um único traço de confissão nas palavras dele. A única coisa que Bruno fez foi, após o regresso de Macarrão e Jorge, desacompanhados de Eliza, ele não somente foi inteirado do que havia acontecido com ela, como aceitou".

Nos debates previstos para esta quinta-feira, provável último dia do julgamento, o promotor disse que vai defender a condenação pelo homicídio triplamente qualificado e espera que a pena seja de pelo menos 30 anos, caso contrário ele já adiantou que vai recorrer.

Diante de um depoimento recheado de contradições e da negativa do goleiro de responder as questões do promotor, orientado por seus advogados, Bruno não teve como escapar dos jurados, que fizeram 27 perguntas ao réu. A primeira delas foi por que não denunciou a morte de Eliza assim que ficou sabendo do ocorrido. "Não fiz essa denúncia por medo, medo do que poderia acontecer com as minhas filhas, e por causa da minha amizade com ele", disse o goleiro.

Um dos jurados também perguntou por que Bruno não procurou um laboratório para coleta de amostra de exame de DNA em domicílio, já que afirmou em seu depoimento que sempre quis fazer o exame para confirmar a paternidade de Bruninho, filho dele com Eliza, mas nunca o fez. "Faltou tempo, talvez conhecimento", respondeu o réu.

O júri também quis saber o motivo pelo qual o goleiro permitiu que Eliza viesse do Rio de Janeiro para Minas e ficasse no sítio dele se não conversava mais com ela, como afirmou mais cedo. Bruno respondeu: "Não conversávamos porque não tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a pessoa Eliza, a pessoa como mãe".

Foi questionado também porque mentiu em uma entrevista dada às TVs, dentro das instalações do Flamengo, na qual dizia ter visto Eliza pela última vez há "dois, três meses", quando, na verdade, já sabia que ela estava morta. Bruno disse que mentiu porque se sentia acuado. "Eu me sentia acuado, perseguido, já tinha começado a investigação". Os jurados perguntaram ainda por que Fernanda estava na casa do goleiro no Recreio dos Bandeirantes, ele respondeu que havia sido por convite de Macarrão para ajudar a cuidar da criança.

E deu versão diferente da de Dayanne ao dizer que não conseguiu falar com ela no celular, apesar de tentar inúmeras vezes, no dia em que ela esteve na delegacia de Contagem e acabou sendo presa, em 26 de junho de 2010. Dayanne, na véspera, havia afirmado que ela tentou e não conseguiu falar com Bruno, que estaria atendendo suas ligações.






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