PM busca traficantes e corpos em quatro morros da zona norte

Pelo menos 16 pessoas morreram desde o início do conflito

Alexandre Rodrigues,

18 Outubro 2009 | 19h52

Dois homens foram mortos hoje em nova manhã de violência na zona norte do Rio. Segundo a polícia, eles atacaram agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) que foram logo de manhã à Favela do Jacaré, um dos redutos do Comando Vermelho que cedeu bandidos para a ação da véspera. Houve intenso tiroteio. Com os mortos, duas pistolas foram apreendidas. Um homem foi detido com 250 quilos de maconha.  

 

 

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Policiais militares do Bope, Choque, Batalhão Florestal e das unidades da zona norte também fizeram incursões nos morros dos Macacos, São João, Matriz e Sampaio em busca de traficantes que participaram da invasão. Eles também checavam denúncias de que havia três corpos no alto do São João. Até o início da noite apenas dois foram encontrados, segundo a PM. Foram encontrados na mata uma mochila, munição, 24 carregadores de fuzil 556, nove carregadores de pistola 9mm e uma granada.

Desde o início do conflito, no sábado, pelo menos 16 pessoas já morreram, sendo dois policiais. Entre os dez mortos no sábado que a polícia informou serem traficantes, estão três jovens que não seriam bandidos. Centenas de pessoas participaram ontem do enterro deles, no cemitério do Catumbi, na zona norte da cidade. Revoltados, parentes disseram que os três eram primos e voltavam de uma festa por volta das 2h em um Peugeot, recém-comprado por um deles. Eles foram surpreendidos pelo grupo de invasores na Rua Senador Nabuco, que metralhou o carro.

 

Segundo os parentes, Marcelo Gomes, de 26 anos, Leonardo Paulino, de 27, e Francisco da Silva, de 22, trabalhavam e não tinham antecedentes criminais. Irmão de Francisco, Alailton da Silva, de 22, sobreviveu, mas está internado em estado grave. A família de outro morto, Alcinei Justino, de 23 anos, também negou que ele fosse do tráfico. A Polícia Civil informou que investiga os casos.

"Os criminosos entraram no morro de forma dissimulada, aos poucos, sem despertar atenção para a movimentação. Entraram um ou dois por vez, provavelmente a pé", disse ontem o secretário José Mariano Beltrame, que acompanhou as operações do 6º Batalhão (Tijuca) ao lado do comandante da PM, Mário Sérgio Duarte. Beltrame disse que o helicóptero da PM, o primeiro a ser abatido por traficantes no Rio, provavelmente foi alvo de armas longas, como fuzis de calibre 762 e 556 ou metralhadores ponto 30, consideradas antiaéreas. Uma perícia deverá determinar o que causou a queda. O secretário disse que a licitação para a compra de um novo aparelho será concluída em novembro.

 

Dos quatro tripulantes do helicóptero que sobreviveram, dois tiveram alta, entre eles o piloto, capitão Marcelo Vaz, que foi chamado de herói pelo comandante da PM, Mário Sérgio Duarte. Ele esteve no enterro dos colegas, mas não quis dar entrevistas. Um dos internados está em estado grave. 

 

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