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Polícia Civil investiga se baleados no Morro do Juramento foram executados

Fotos publicadas em rede social mostram vítimas deitadas em meio a poças de sangue; de acordo com legista, homens já estariam mortos

05 de fevereiro de 2014 | 19h 37
Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo

RIO - Embora a Polícia Militar do Rio afirme que os seis supostos traficantes mortos nesta segunda-feira, 3, durante operação no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na zona norte, foram baleados durante troca de tiros com PMs, a Polícia Civil também investiga a hipótese de as vítimas terem sido executadas pelos policiais.

Pela quantidade de sangue no chão e outras evidências, perito acredita em execução - Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão
Pela quantidade de sangue no chão e outras evidências, perito acredita em execução

Os 20 PMs do 41.º Batalhão (Irajá) serão intimados a prestar depoimento e os 19 fuzis que eles portavam durante a operação, submetidos a exames de confronto balístico para determinar de quais armas partiram os tiros que mataram os suspeitos. As informações são do delegado Deoclécio de Assis, da 27.ª DP (Vicente de Carvalho). Por enquanto, porém, o caso é investigado como autos de resistência (mortes de suspeitos em confronto com a polícia).

Após a operação, na manhã de terça-feira, a PM informou que os suspeitos foram socorridos e morreram a caminho do hospital. Mas duas fotos publicadas em rede social mostram as vítimas deitadas no chão em meio a poças de sangue, no local do confronto. Após analisar essas imagens, o legista aposentado Leví Inimá de Miranda, que trabalhou na Polícia Civil do Rio e no Exército, afirmou que, ao contrário do informado pela PM, os seis suspeitos morreram no local do suposto confronto. Segundo ele, ao retirá-los da favela e levá-los ao hospital, os PMs pretendiam desfazer o local do crime para dificultar a perícia.

"Nas fotos está claro que todos já estavam mortos, pela posição dos corpos no chão, pela quantidade de sangue incompatível com a vida e pelo comportamento dos PMs, que não demonstravam estar preocupados em socorrer os feridos. Além disso, não há nenhuma arma na foto. Por que os PMs desfizeram o local do crime? Para esconder a execução", disse o perito. A PM afirmou ter apreendido com os suspeitos quatro fuzis AK-47, duas pistolas, granadas e drogas.

As duas fotos foram veiculadas pelo perfil "PMERJ FEM" no Facebook na terça-feira à tarde, mas à noite foram retiradas. A legenda das fotos afirmava se tratar de uma resposta às mortes da soldado Alda Castilho, de 26 anos, atacada por traficantes na frente da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Parque Proletário, no complexo da Penha, na zona norte, no domingo, 2, à tarde, e do soldado Rogério Rocha dos Santos Junior, que trabalhava na UPP Camarista - Méier, também na zona norte, e morreu baleado durante uma tentativa de assalto no sábado à noite, quando estava de folga. A Polícia Militar informou que esse perfil no Facebook não é oficial. As fotos foram anexadas ao inquérito da 27.ª DP e serão confrontadas com o laudo pericial. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio pediu informações à Polícia Civil e também vai investigar a suspeita de execução.

Sem antecedentes. Três dos seis mortos não tinham anotações criminais: Carlos Henrique Benjamin dos Santos, de 18 anos, Francisco José Correia Silva, de 21 anos, e Reinaldo Thomaz da Silva, de 19 anos. Thiago Porto Gonçalves, de 26, foi preso em flagrante por tráfico de drogas em julho de 2012 na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, mas foi absolvido pela Justiça. O Morro do Juramento e o Complexo da Penha, onde fica a UPP atacada no domingo, são controladas pelo Comando Vermelho. David Santos, de 24 anos, foi condenado em 2009 a quatro anos de prisão por roubo. Acássio Silva Ferreira, 20 anos, tem passagem pela polícia por tráfico.

A operação no Juramento pretendia encontrar os traficantes do Comando Vermelho suspeitos de participar do ataque à UPP do Parque Proletário. O Fiat Idea preto usado pelos atiradores no ataque foi encontrado no Juramento, na manhã de segunda-feira, após denúncia anônima. Havia quatro digitais no veículo.






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