Prefeitura de SP suspende contrato que pagaria 5 vezes mais por tablet
'Estado' denunciou que locação sairia mais cara do que a compra dos aparelhos para o Prodam
SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), mandou suspender o aluguel de cerca de 10 mil tablets para fiscais e profissionais da administração pública após denúncia do Estado nesta quinta-feira, 15, que apontou mau uso da verba pública em contrato da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município (Prodam).
A reportagem mostrou que os R$ 138,9 milhões usados para alugar os aparelhos por três anos daria para comprar mais de 53 mil tablets mesmo sendo os equipamentos mais caros do mercado. O valor cobrado era cinco vezes mais caro que o preço de varejo.
O prefeito disse que o prosseguimento da contratação ficará paralisado até que tudo seja esclarecido. O presidente da Prodam, Cesar Kiel, justificou o aluguel dizendo que o modelo de tablet contratado é mais robusto, resistente a chuva e poeira, e que os modelos de uso pessoal apontados pela reportagem não atendem as especificações da Prefeitura.
Atualmente, um iPad 2 com 64 gigabytes de memória e conexão 3G, é de R$ 2,6 mil, segundo o site da fabricante Apple - mais de cinco vezes menor do que o valor a ser pago pela Prefeitura no aluguel dos aparelhos aparentemente mais simples, já que as especificações exigidas no edital são diferentes das do tablet da Apple.
Kiel afirmou que o valor é com certeza o melhor custo beneficio para o contrato. Os tablets que seriam utilizados por exemplo, pelos agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e por fiscais da Vigilância Sanitária, que agora poderão emitir recibo de auto de infração pelo aparelho.
Fraude. Além disso, o contrato foi assinado com uma empresa cujo o proprietário é foragido da Justiça. Carlos Alberto Zafred Marcelino, da Neel Brasil é acusado de envolvimento na fraude da inspeção veicular denunciada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte.
Sobre isso, o presidente da Prodam negou ter conhecimentos das denúncias e disse que "a relação é entre empresas e não pessoas". / COM REPORTAGEM DE FELIPE FRAZÃO
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