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Promotor diz que testemunhas favoreceram acusação contra Bola

No segundo dia de julgamento, depoimentos reforçam tese de que ex-policial assassinou Eliza Samudio

23 de abril de 2013 | 23h 25
Aline Reskalla - Estadão

O promotor Henry Wagner Vasconcellos afirmou, na noite desta terça-feira, que as testemunhas ouvidas no segundo dia de julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola,  prestaram informações “extremamente relevantes, vantajosas para as teses da promotoria de Justiça”. O réu está sendo julgado desde segunda-feira no Fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde o goleiro Bruno foi condenado a 22,3 anos de prisão em março e seu braço direito, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, a 15 anos em novembro de 2012. O julgamento será retomado às 9h desta quarta-feira.

A tese mais importante delas, segundo Vasconcellos, é a de que “Bola, ou Nenén ou Paulista assassinou Eliza Silva Samudio e veio a destruir-lhe ou no mínimo ocultar-lhe o cadáver”. E também a tese de que o ex-policial é um “experimentado, reiterado, experiente matador, homicida”.

Colega de Bola no período em que o réu ficou preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Jailson Alves, segundo o promotor, demonstrou muita tranquilidade ao reafirmar depoimentos já prestados anteriormente de ter ouvido do próprio Marcos Aparecido que o corpo de Eliza Samudio só apareceria se os peixes falassem. “Esta foi a nona ocasião em que Jailson foi ouvido. Essa credibilidade de Jailson a promotoria conseguiu fincá-la já no limiar da sua inquirição, ao obter dele informações provadas documentalmente, a que ele não teria acesso se não fosse pelo próprio Bola”.

Para o promotor, os depoimentos do deputado estadual Durval Ângelo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas Gerais, e do corregedor geral da Polícia Civil mineira, Renato Teixeira, forneceram “preciosíssimas informações que remetem ao envolvimento de Marcos Aparecido nos dois homicídios e nas duas subsequentes destruições de cadáveres ocorridas em 2008 no centro do Grupamento de Respostas Especiais (GRE) da Polícia Civil mineira.

Durval deixou claro, segundo Henry Vasconcellos,  que depoimentos de familiares e vizinhos do centro de treinamento levaram a identificaram os “quatro sujeitos que abordaram as vítimas e as inseriram forçadamente no interior do centro, local do qual elas jamais saíram, jamais regressaram a suas vidas, ao seus lares”. Entre os quatro estaria um “sujeito em uma moto twister amarela, o Marcos Aparecido dos Santos, conhecido naquela vizinhança como Paulista”. Relatos que, segundo o promotor, “vieram a ser confirmados por depoimentos de dois rapazes à Comissão de Direitos Humanos que conseguiram escapar daqueles quatro criminosos”.

O promotor afirmou que a defesa saiu derrotada do plenário. “Hoje nós não tivemos inquirições, na sua essência, de testemunhas de defesa. A defesa não está sabendo trabalhar com competência. A defesa está expondo para o júri depoimentos que ainda mais incriminam o seu assistido”.






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