Quase metade das viagens individuais tem menos de 15 minutos
'Dados refletem a cultura do automóvel, que é usado para ir à padaria perto de casa', diz consultor de trânsito
SÃO PAULO - São Paulo viveu em 2008 momentos de caos no trânsito. No dia 9 de maio, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou o recorde de 266 km de lentidão. Embora em menor escala, a situação se repete em outras áreas da região metropolitana e tende a piorar, pois a frota de veículos individuais cresce rapidamente - 16% em dez anos. O que muitos chamam de a “cultura do carro” foi reforçado por um dado da OD: quase metade de todas as viagens com transporte individual dura menos de 15 minutos.
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Os especialistas ressaltam que a pesquisa é feita em todos os municípios e muitos deles são de pequeno porte. Mas a situação não é diferente na capital, onde quase 35% das viagens em transporte individual têm a mesma duração. “Os dados refletem a cultura do automóvel, que é usado para ir à padaria perto de casa”, diz o consultor de trânsito Horácio Figueira. Ele acrescenta que, embora aparentemente “inofensivos”, os pequenos percursos trazem prejuízo para o trânsito da cidade. “Muitos bairros são pontos de passagem e por isso há reflexos nos demais corredores.”
Os especialistas em trânsito também afirmam que muitas vezes o uso abusivo de carros é consequência de falhas estruturais no sistema de transporte coletivo. “Tirando nos corredores, a maioria das linhas tem intervalos de dez minutos; é quase o tempo do trajeto inteiro só no ponto”, diz Figueira. O professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Jaime Waisman diz também que em muitos bairros não há ligação por linhas de ônibus. Dessa forma, as pessoas precisam pegar um coletivo até outra região e depois retornar para o bairro ao lado.
É exatamente essa situação que obriga a educadora Shirley Diniz Toro, de 46 anos, moradora do Jardim São Paulo, na zona norte, a utilizar seu carro todos os dias para um trajeto de cinco minutos entre os dois empregos. Se for de ônibus, ela precisa pegar duas linhas: uma até o terminal Santana e outra para voltar ao Tucuruvi. “Sei que atrapalho o trânsito, mas não tenho como fazer diferente”.
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