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RJ começa a enterrar as vítimas das chuvas na região serrana do Estado

Defesa Civil registrou 17 mortos; temporal também deixou 33 feridos e 560 desalojados

19 de março de 2013 | 10h 12
Marcelo Gomes - O Estado de S.Paulo

PETRÓPOLIS - Das 17 vítimas das chuvas que atingem Petrópolis desde a tarde de domingo, seis estão previstas para serem enterradas nesta terça-feira (19). O adolescente Lucas Ladislau dos Santos de Barros, de 15 anos, será o primeiro a ser sepultado, às 11h30, no Cemitério Municipal de Petrópolis.

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Bombeiros procuram por vítimas no bairro Quitandinha - Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE
Bombeiros procuram por vítimas no bairro Quitandinha

O temporal na região serrana do Rio também deixou 33 feridos e 560 pessoas desalojadas. Os Rios Quitandinha e Piabanha, que cortam Petrópolis, transbordaram, destruindo casas e provocando alagamentos em 21 pontos, principalmente nos bairros Quitandinha e Independência. O maior índice pluviométrico foi registrado em Quitandinha: 415 milímetros em 24 horas, o equivalente a dois meses de chuva, segundo a prefeitura.

Volta à rotina

Dois dias após o início do temporal que atingiu Petrópolis, a cidade começa a retomar a rotina. Na manhã desta terça-feira, o comércio reabriu as portas e moradores voltaram a circular pelas ruas. Caminhões e tratores da prefeitura continuam a retirar a grande quantidade de lixo e lama, que interditaram várias ruas. No centro histórico da cidade, a situação está quase normalizada.

Um deslizamento de terra praticamente interditou a Rua Gastão Marques Lamourier, no bairro Mauá. Uma casa de dois andares está com os pilares de sustentação expostos. Equipes do Corpo de Bombeiros estiveram nesta manhã no local para retirar os moradores, mas eles já haviam saído nessa segunda-feira por conta própria, depois de um primeiro deslizamento.

"O primeiro deslizamento nesse terreno ocorreu na manhã de segunda-feira. Eu estava em casa com meu marido e meu filho quando ouvimos um barulho. Também ouvimos muitos gritos de pessoas pedindo socorro. E na noite de domingo um barranco já tinha caído atrás da minha casa, por isso decidi sair e me abrigar na casa dos meus pais", disse a dona de casa Elisângela de Freitas, de 39 anos, moradora da rua.

Medidas drásticas

Indagada sobre o problema no Rio, a presidente Dilma Rousseff, que está em Roma, negou problemas na prevenção. "Não, não está, não estava com nenhum problema, não. A nossa prevenção, hoje, avisa as pessoas. Eu acho que vão ter de ser tomadas medidas um pouco mais drásticas para que as pessoas não fiquem nas regiões que não podem ficar", afirmou a presidente.

"Nós temos um sistema de prevenção. O problema é que muitas vezes as pessoas não querem sair", prosseguiu Dilma, que também alegou que foi a chuva em abundância que causou a tragédia. "É uma situação muito difícil, porque choveu 300 milímetros. Quase o tanto que chove em um ano em certas regiões do Brasil choveu em um dia em Petrópolis", insistiu.

Apelo controverso

Várias autoridades pediram que moradores de áreas de risco deixassem as casas. Um dos sinais sonoros, por exemplo, foi acionado na Rua Espírito Santo, onde pessoas foram soterradas. "Fazemos um apelo para que todas as pessoas deixem as áreas de risco", ressaltou o governador Sérgio Cabral (PMDB). A remoção, porém, vai na contramão do que defendem especialistas das Nações Unidas. Eles já alertaram o governo brasileiro em diversas ocasiões que forçar uma saída deve ser a última alternativa e é algo que precisa ser realizado com extrema cautela para não causar caos social.

O Estado anunciou a liberação de R$ 3 milhões - a prefeitura liberou outros R$ 200 mil. Já a presidente Dilma Rousseff designou a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para acompanhar todo o trabalho e deslocou uma equipe da Força Nacional de Defesa Civil.



Tópicos: Chuva, Petrópolis

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