Santa Catarina libera R$ 2 milhões para vítimas do tornado

Mais de 104 mil pessoas foram afetadas pelos temporais e mais de 18 mil tiveram que deixar suas casas

Agência Brasil,

11 Setembro 2009 | 10h29

O governo de Santa Catarina começou a reconstrução de casas, escolas, galpões e ginásios dos municípios afetados pela chuva e pelo vento forte causados por uma tempestade no início da semana e liberou uma verba de R$ 2 milhões para os trabalhos. A cidade mais castigada foi Guaraciaba, próximo à fronteira com a Argentina, que registrou um total de 9.100 pessoas atingidas, 667 prédios danificados, 89 feridos e quatro mortes. Por causa dos estragos, o município decretou estado de calamidade pública.

 

 

Atingida por um tornado, Guaraciaba decretou situação de calamidade pública. Foto: Efe

 

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Até às 10h30 desta sexta-feira, 11, a Defesa Civil de Santa Catarina contava 69 cidades atingidas pelos temporais. Mais de 104 mil pessoas foram afetadas pelos temporais e mais de 18 mil tiveram que deixar suas casas por causa das chuvas. Na quarta, o governador Luiz Henrique da Silveira havia decretado situação de emergência em todas as cidades afetadas, que eram 64. No entanto, apenas 40 municípios decretaram situação de emergência por conta própria.

 

Ajuda

 

O governador esteve em algumas das cidades afetadas e ordenou a ajuda imediata às que já decretaram estado de emergência. "Nós não vamos aguardar que 64 municípios decretem emergência e façam toda a documentação. Nós estamos decretando emergência nesses municípios e vamos encaminhar, na semana que vem, um levantamento preliminar dos prejuízos, pedindo uma verba [ao Ministério da Integração Nacional] para atender situações como essa", disse o governador.

 

"Nós não vamos esperar a verba (do Ministério). Estamos investindo também dinheiro do Estado para reconstruir rapidamente, uma quantia de R$ 2 milhões", completou Silveira, que afirmou o desejo de mostrar os estragos na região para o ministro Geddel Vieira Lima.

 

Entre as propriedades visitadas pelo governador, uma das que mais lhe impressionou foi a de Ivanir Gabrielli, de Linha Tigre, no interior de Guaraciaba. Andando de um lado para outro sobre a lama, mostrando os estragos do vendaval, o agricultor parecia que ainda não tinha entendido tudo o que havia se passado.

 

"De repente, levantou a casa. A minha esposa e minha mãe gritavam e choravam. Nós corremos para a outra casa, que é de tijolos, para sobreviver. Mas desabou uma parede sobre a perna da minha esposa, que precisou levar 40 pontos. Foi uma cena de guerra", contava ele, que admitiu estar há três dias sem dormir.

 

Sem condições de reconstruir o imóvel, que acabou partido ao meio, Ivanir mandou a família para a casa da cunhada Loreni Petri, a cerca de dois quilômetros. Lá, o tornado também deixou estragos, mas a intensidade foi menor.

 

"Eu moro numa casa de madeira. Quando deu o primeiro vento, corri com minhas duas filhas para debaixo da mesa. Quando diminuiu, nós corremos para o banheiro, que é de tijolos, e ficamos rezando, pedindo a Deus que parasse de uma vez. A noite toda ficamos na chuva, porque não tinha mais telhado. Era só água dentro de casa", lembrou Loreni.

 

Texto ampliado às 12h12 para acréscimo de informações.

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